Arte urbana

A arte tem uma função social. Serve, sobretudo, ao prazer e à reflexão.

As intervenções urbanas me chamam a atenção, as artísticas em particular, desencadeando em mim o prazer, a curiosidade, a reflexão. As cores atraem minha alma.

Há alguns anos, por causa das cores da chama trina – azul, amarelo e rosa – comecei a perceber a repetição das “pixações” nos muros da cidade. Há um grafiteiro em Franca, cuja tag CT! era, inicialmente, pintada em azul, amarelo e rosa, exatamente nos tons da chama trina. A repetição da marca do grafiteiro: um código antes desconhecido que se descortinou pra mim, que passou a existir no meu mundo. Eu adorava procurar por ela pela cidade, mas sumiram as cores e, com o tempo, meu interesse desvaneceu.

Permaneceu em mim, contudo, a curiosidade para conhecer a história de vida

e as motivações do grafiteiro.

Faz talvez um ano que outra intervenção urbana vem chamando minha atenção em Franca, umas figurinhas fofas e sutis espalhadas por aí. Este fim de semana estendido, com a presença do marido e do enteado, propiciou para mim a oportunidade para iniciar minha caçada, com consequente compartilhamento das imagens e reflexões com vocês.

Meu enteado contextualizou as imagens, me apresentando ao Space Invaders, um jogo de vídeo game arcade lançado em 1978, cujas figuras são feitas por quadrados dos pixels. Este jogo inspirou um artista urbano francês, anônimo e conhecido como Invader, a espalhar sua arte por aí. Seus 3.672 mosaicos, feitos de pequenos quadrados de cerâmica, podem ser vistos em locais públicos de 73 cidades ao redor do mundo. Segundo o Wikipedia, Invader se denomina hacker do espaço urbano, espalhando mosaicos como um vírus; chama suas intervenções de “invasão”, normalmente fica duas a três semanas em uma cidade, espalha as figuras, publica livros e mapas com a localização dos trabalhos e vaza. Atua mascarado para não ter a identidade revelada.

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Provavelmente inspirado na arte de Invader, um outro artista – QUEM? –

vem poesificando o cinza do concreto urbano de Franca com figuras feitas em cerâmica,

que também simulam os pixels do computador – e do video game.

Eu simplesmente a-do-ro descobrí-los, gosto mais ainda da fruição estética que eles provocam em mim. Eu e meu enteado nos tornamos caçadores este fim de semana. Quem mais?

Os que já fotografei seguem abaixo.

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Vocês já os perceberam?

O que vêem? o que sentem?

Quais conhecem que eu ainda não achei? 

 

 

 

 

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Além desse artista que se utiliza dos pixels, há pelo menos dois outros trabalhos, feitos também em cerâmica. Estes devem ser de outros artistas, pois estão descolados da ideia dos pixels/Space Invaders, mas também estão invadindo nosso espaço com ideias, cores e arte.

 

 

Bora caçar outros? Meu hunter no. 2 acaba de me telefonar pra dizer que achou mais um perto do Mario Roberto. Abram seus olhos, caçadores!!

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Franca e suas belezas

Vamos falar um pouco sobre Franca? Sempre há muitos aspectos a se abordar, mas escolhi as belezas do lugar. O que é belo pra mim você já vai descobrir. E pra você?

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Foto retirada da Internet. Caso alguém conheça o autor da foto, favor se manifestar.

Nos grupos de Facebook dedicados a Franca de que participo, vejo muitas pessoas exaltarem Franca como uma cidade bonita. O mesmo se dá alhures sobre minha cidade natal: Domingos Martins, no ES. Como cidades, particularmente não as acho bonitas. Desde que morei no graciosíssimo interior da Inglaterra, perdi a capacidade de achar as cidades brasileiras bonitas. Muito dessa feiúra, porém, deve-se à arquitetura e à forma de ocupação do espaço urbano. O ambiente construído.

A insegurança nas cidades determina os muros na quase totalidade das casas. Dentro desses muros está o bem maior de todas as pessoas: seu lar, sua família, seu aconchego. Mas fora, pra cidade ver, são os muros que imperam, quase absolutos. E eu não gosto deles.

Outro ponto que enfeia as cidades é a forma de ocupação feita pelos comércios. No Centro da cidade, as placas escondendo bonitas fachadas antigas entristecem a muita gente. As demolições de tais casas também. Eu até entendo as demolições, porque os espaços internos das casas antigas costuma ser incrivelmente pequeno pros padrões atuais, mas confesso que gostaria de ter uma Fundação de preservação do patrimônio predial antigo das cidades.

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Foto: Márcio Meireles/EPTV – retirada da Internet

Meu intuito com este post, entretanto, é chamar a atenção para algumas das belezas de Franca. A zona urbana está encravada sobre algumas colinas, razão pela qual a cidade é também conhecida como Três Colinas, e as imediações mostram uma beleza natural estonteante, com um relevo e um verde de encher os olhos. Certa feita recebemos a visita de amigos cariocas e eles ficaram impressionados com o tom do verde por estas plagas. Um tom de verde que a foto abaixo não revela, mas que você conhece muito bem.

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Na zona urbana temos dois rios, domesticados por obras de engenharia que visam evitar inundações. E um desses rios nos brinda com uma cachoeira. Muito charmoso! Nas minhas muitas andanças, só vi cachoeira no meio da cidade em Niágara, no Canadá. Um pouquinho maior e mais explorada turisticamente, eu diria, mas aqui também tem.

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A cidade está em constante crescimento urbano, sempre com novos bairros surgindo, um mercado imobiliário que me parece sempre aquecido, a despeito da crise financeira pela qual passa o país. Entremeado aos bairros mais periféricos, fazendas. Acho isso tão bonito!! Além das fazendas, há áreas verdes em alguns pontos da cidade, que são interessantíssimas. Há até um pesque-pague no meio da cidade, coisa que só vim a descobrir dias atrás; e um restaurante com mini zoológico, também no centro da cidade; e um clube com uma lagoa cheia de capivaras. Por “centro”, aqui, não me refiro à zona central do comércio e da igreja matriz, mas ao miolo da área ocupada pela zona urbana.

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Em Franca a gente vê o limite da cidade. Pelo relevo mais plano, notamos estar na última rua da cidade. Na minha querida Domingos Martins, o fim é o morro. Estamos encravados num vale apertado, não vemos o horizonte, como aqui. Por isso, não vemos a chuva ao longe.

Chuva ao longe foi algo que conheci depois que vim pro Planalto brasileiro. Aliás, gosto de pensar que o Planalto Central começa aqui, nas escarpas de Franca. Mas não é bem assim. Pelo pouco que pesquisei, compreendi que estamos no Planalto Atlântico. Algum entendido em Geografia aí, pra nos dar informações mais precisas?

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Franca tem muitas, muitas praças espalhadas pelos bairros. Áreas arborizadas que são de uma riqueza inestimável. Conheço cidades inteiras sem praças, sem árvores, sem parquinhos infantis… em Franca muitos desses espaços – as praças e as áreas verdes de preservação – estão abandonadas pelo poder público. Viraram um local inseguro, utilizado por pessoas à margem da sociedade para ocultar produtos de roubo ou para o uso de drogas – lícitas ou ilícitas. Estão aí diversas coisas para serem exploradas pelo poder público municipal: a revitalização das praças, a utilização dos espaços verdes, o acolhimento à população de rua e aos usuários prejudiciais de drogas, a abordagem à sociedade amedrontada e preconceituosa, a segurança pública aos casos realmente prejudiciais à ordem pública e segurança das pessoas. Poucos anos atrás surgiu em Franca um movimento popular chamado Corredor Cultural, que teve um papel importante na revitalização, ainda que temporária, destes espaços urbanos. Pelo que sei o Corredor continua acontecendo, organizado agora pela prefeitura, e merecerá uma postagem específica no futuro.

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Uma coisa que me chama a atenção em algumas dessas praças, são as estátuas. Há muitas, em diversos pontos da cidade. Elas me dizem que houve um tempo, imagino os idos de 1950, em que esta cidade foi próspera e bem cuidada. Como moradora de Franca, desejo que o poder público dê atenção a esta estatuária.

Uma outra beleza natural aqui são as árvores floridas, os ipês, os flamboyants… E o céu!! Gente, o céu aqui dá um show. O azul é tão azul!!! O por-do-sol é maravilhoso. Coisas que me energizam.

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E você? O que acha bonito na sua cidade, seja ela Franca ou outra cidade qualquer?  

As fotos retiradas da internet estão com legenda. As demais são todas feitas por mim, Raquel Rangel Cesario.

As fotos panorâmica e da chuva são na zona rural de Franca, a 10 Km do centro da cidade. Todas as demais fotos estão no perímetro urbano.

Zona Sul

Recentemente estive no Rio de Janeiro e em São Paulo, nossas maiores cidades. Adoro passear nas duas.

O Rio está em obras. Avenidas, hoteis, contenção de encostas, metrô… em todo lugar – andei pelas zonas sul e oeste – vê-se essas obras. Túnel novinho e linha expressa de ônibus da Barra para a zona oeste que eu ainda não conhecia.  Tudo reflexo da Copa que vem aí, creio eu. Por todo o lado se vê também propagandas políticas do atual prefeito, candidato à reeleição. Outro candidato? Só vi uns dois cartazes em Santa Cruz. Acho que o Paes vai levar essa. Até porque a pacificação é a palavra mais usada. Parece que a cidade está mesmo pacificada, mais segura. Andamos pelo Parque Nacional da Floresta da Tijuca e havia pedestres, ciclistas, policiais, tudo transcorrendo muito bem.

Passeamos muito pela Joatinga, e mais surpresa para mim. Região rica, de magníficas mansões, sonho de muita gente lá pela década de 80, hoje está decadente. Muitas casas à venda, muitas casas sem manutenção, casas e terrenos vazios e abandonados. Que terá acontecido? Caiu o poder aquisitivo daquela gente? Não dá mais para manter casas tão grandes, tão caras? Os filhos cresceram, formaram suas próprias famílias e foram morar num apartamento na Barra? A violência urbana afastou as pessoas? Os moradores que podem pagar mudaram-se para um lugar mais na moda?

Em São Paulo hospedei-me no Morumbi, região que eu ainda não conhecia. Como a Joatinga, bairro residencial de classe alta, com maravilhosas mansões. Como a Joatinga, muitas casas à venda, muitas casas vazias e sem manutenção, um bairro algo decadente. é certo que as semelhanças acabam aqui, pois que o Morumbi é muito maior e tem uma parte comercial, outra com prédios, que não está decadente, mas me faço as mesmas perguntas que fiz acima, a respeito do Rio. O que houve? moda? queda do poder aquisitivo? insegurança???

Hospedamo-nos lá num esquema de “bed and breakfest”, muito comum na Europa. Pela internet, através de um site especializado, encontramos condições que nos eram favoráveis, relativas ao estilo da casa, preço e localização. A dona da casa fez contato e também gostou da gente, fechando o acordo. Fomos muito bem recepcionados, e logo ganhamos uma chave da casa, controle remoto do portão, acesso à geladeira… Muito legal e mais barato que hotel! Ela nos disse que recebe mais estrangeiros que brasileiros; disse que esses últimos estão sempre querendo tirar uma vantagem, fazer o acordo por fora para não precisar pagar a taxa de administração do site, essas coisas. Mas é uma modalidade de hospedagem que cresce no Brasil, e que quero continuar experimentando. Sites brasileiros têm surgido, inclusive.

A casa no Morumbi é muito charmosa, com arquitetura e decoração que nos agrada, mas deve ser demolida. Sendo bem próxima ao estádio do São Paulo, onde haverá alguns jogos da Copa do Mundo, todas as casas da rua serão desapropriadas para a construção de uma avenida e um monotrilho, que darão acesso ao estádio. Até aí tudo bem, disse-nos a proprietária, porque o bairro cresceu muitíssimo e o trânsito é inviável com as ruelas que tem hoje, mas… (sempre tem um mas) até hoje, ou até sexta passada, os proprietários não haviam sido notificados da desapropriação. Fiquei (quase) estupefata! A TV noticia os atrasos nas obras dos estádios e aeroportos, mas tem muito mais. Desconfio que essas notificações não ocorrerão antes das eleições municipais. Em 1,5 ano a prefeitura terá que desapropriar, demolir, construir avenida, monotrilhos… Será? a que custo? na parte que toca aos proprietários, a um custo “baixo”. Segundo ela, a prefeitura pagará 90% do valor do imóvel tal qual consta no IPTU, o que não dá prá comprar outro imóvel de mesmo nível num lugar legal.

Quanto a outras obras na cidade, pouco vi. Apenas a construção de linhas de metrô, que aliás expandiu bem suas linhas nos últimos anos. O trânsito continua caótico, mas agora há faixas exclusivas para ônibus e taxis nas principais avenidas. Bikes, vi muito poucas. De positivo, há que se dizer, muita polícia nas ruas. Um policiamento marcante, mas não ostensivo. Andamos por muitos bairros, centro, zonas sul e leste, e lá estavam eles. Gostei de ver. Em todos esses lugares vimos também muitos jovens recolhendo dinheiro nos sinais para construir casas para pessoas sem acesso à moradia. São voluntários da ONG Teto. Constroem casas simples para quem não tem nem isso, dando dignidade e ajudando a reduzir da pobreza. Uma bela iniciativa, que não é somente obra de caridade, mas que promove o encontro de realidades sociais distintas, empodera e amplia os horizontes tanto dos voluntários quanto dos beneficiados com moradia.

Para encerrar, uma frase de uma das voluntárias do Teto, encontrada aqui através do São Google, porque casualmente usou o nome deste blog em sua fala:

“Thalita Santos, de 22 anos, formada em Relações Públicas, participou pela primeira vez de uma ação do Teto. Ela integrou a equipe que construiu a casa da família de Ana Carolina, 17 anos, que vive com o filho Mateus, de apenas 3, na comunidade Souza Ramos, zona leste da capital. “Foi um choque, nem parecia que estávamos em São Paulo. Lá não tinha esgoto, água encanada nem coleta de lixo. E no mundo onde eu vivo, isso é tão básico…”, conta a voluntária. Para quem nunca havia pegado num martelo, Thalita superou as próprias expectativas. “Você se surpreende com você mesmo, com a sua força e a vontade de construir”.”

Agora, com a palavra, vocês que me lêem e sacam o Rio e São Paulo.