Franca e suas belezas

Vamos falar um pouco sobre Franca? Sempre há muitos aspectos a se abordar, mas escolhi as belezas do lugar. O que é belo pra mim você já vai descobrir. E pra você?

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Foto retirada da Internet. Caso alguém conheça o autor da foto, favor se manifestar.

Nos grupos de Facebook dedicados a Franca de que participo, vejo muitas pessoas exaltarem Franca como uma cidade bonita. O mesmo se dá alhures sobre minha cidade natal: Domingos Martins, no ES. Como cidades, particularmente não as acho bonitas. Desde que morei no graciosíssimo interior da Inglaterra, perdi a capacidade de achar as cidades brasileiras bonitas. Muito dessa feiúra, porém, deve-se à arquitetura e à forma de ocupação do espaço urbano. O ambiente construído.

A insegurança nas cidades determina os muros na quase totalidade das casas. Dentro desses muros está o bem maior de todas as pessoas: seu lar, sua família, seu aconchego. Mas fora, pra cidade ver, são os muros que imperam, quase absolutos. E eu não gosto deles.

Outro ponto que enfeia as cidades é a forma de ocupação feita pelos comércios. No Centro da cidade, as placas escondendo bonitas fachadas antigas entristecem a muita gente. As demolições de tais casas também. Eu até entendo as demolições, porque os espaços internos das casas antigas costuma ser incrivelmente pequeno pros padrões atuais, mas confesso que gostaria de ter uma Fundação de preservação do patrimônio predial antigo das cidades.

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Foto: Márcio Meireles/EPTV – retirada da Internet

Meu intuito com este post, entretanto, é chamar a atenção para algumas das belezas de Franca. A zona urbana está encravada sobre algumas colinas, razão pela qual a cidade é também conhecida como Três Colinas, e as imediações mostram uma beleza natural estonteante, com um relevo e um verde de encher os olhos. Certa feita recebemos a visita de amigos cariocas e eles ficaram impressionados com o tom do verde por estas plagas. Um tom de verde que a foto abaixo não revela, mas que você conhece muito bem.

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Na zona urbana temos dois rios, domesticados por obras de engenharia que visam evitar inundações. E um desses rios nos brinda com uma cachoeira. Muito charmoso! Nas minhas muitas andanças, só vi cachoeira no meio da cidade em Niágara, no Canadá. Um pouquinho maior e mais explorada turisticamente, eu diria, mas aqui também tem.

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A cidade está em constante crescimento urbano, sempre com novos bairros surgindo, um mercado imobiliário que me parece sempre aquecido, a despeito da crise financeira pela qual passa o país. Entremeado aos bairros mais periféricos, fazendas. Acho isso tão bonito!! Além das fazendas, há áreas verdes em alguns pontos da cidade, que são interessantíssimas. Há até um pesque-pague no meio da cidade, coisa que só vim a descobrir dias atrás; e um restaurante com mini zoológico, também no centro da cidade; e um clube com uma lagoa cheia de capivaras. Por “centro”, aqui, não me refiro à zona central do comércio e da igreja matriz, mas ao miolo da área ocupada pela zona urbana.

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Em Franca a gente vê o limite da cidade. Pelo relevo mais plano, notamos estar na última rua da cidade. Na minha querida Domingos Martins, o fim é o morro. Estamos encravados num vale apertado, não vemos o horizonte, como aqui. Por isso, não vemos a chuva ao longe.

Chuva ao longe foi algo que conheci depois que vim pro Planalto brasileiro. Aliás, gosto de pensar que o Planalto Central começa aqui, nas escarpas de Franca. Mas não é bem assim. Pelo pouco que pesquisei, compreendi que estamos no Planalto Atlântico. Algum entendido em Geografia aí, pra nos dar informações mais precisas?

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Franca tem muitas, muitas praças espalhadas pelos bairros. Áreas arborizadas que são de uma riqueza inestimável. Conheço cidades inteiras sem praças, sem árvores, sem parquinhos infantis… em Franca muitos desses espaços – as praças e as áreas verdes de preservação – estão abandonadas pelo poder público. Viraram um local inseguro, utilizado por pessoas à margem da sociedade para ocultar produtos de roubo ou para o uso de drogas – lícitas ou ilícitas. Estão aí diversas coisas para serem exploradas pelo poder público municipal: a revitalização das praças, a utilização dos espaços verdes, o acolhimento à população de rua e aos usuários prejudiciais de drogas, a abordagem à sociedade amedrontada e preconceituosa, a segurança pública aos casos realmente prejudiciais à ordem pública e segurança das pessoas. Poucos anos atrás surgiu em Franca um movimento popular chamado Corredor Cultural, que teve um papel importante na revitalização, ainda que temporária, destes espaços urbanos. Pelo que sei o Corredor continua acontecendo, organizado agora pela prefeitura, e merecerá uma postagem específica no futuro.

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Uma coisa que me chama a atenção em algumas dessas praças, são as estátuas. Há muitas, em diversos pontos da cidade. Elas me dizem que houve um tempo, imagino os idos de 1950, em que esta cidade foi próspera e bem cuidada. Como moradora de Franca, desejo que o poder público dê atenção a esta estatuária.

Uma outra beleza natural aqui são as árvores floridas, os ipês, os flamboyants… E o céu!! Gente, o céu aqui dá um show. O azul é tão azul!!! O por-do-sol é maravilhoso. Coisas que me energizam.

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E você? O que acha bonito na sua cidade, seja ela Franca ou outra cidade qualquer?  

As fotos retiradas da internet estão com legenda. As demais são todas feitas por mim, Raquel Rangel Cesario.

As fotos panorâmica e da chuva são na zona rural de Franca, a 10 Km do centro da cidade. Todas as demais fotos estão no perímetro urbano.

Vila Franca do Imperador

Moro em Franca/SP, efetivamente, desde 2012. Antes já havia estado por aqui por 3 anos – 2007, 2008, 2009. Morávamos em Cristais Paulista (assim mesmo, no singular. O leitor de fora há de estranhar, como eu estranhei no princípio). A despeito do trabalho do meu marido ser em Franca, escolhemos Cristais por ser uma cidade pequenininha e algo charmosa, bem próximo a Franca. Lá foi mais fácil alugar casa com pouco dinheiro e sem ter fiador. E, pesou na nossa escolha, achávamos que seria mais fácil fazer amigos numa cidade pequena, então com 5.000 hab na zona urbana. Franca tem pouco mais de 300.000, é uma cidade média do interior paulista, e era onde estávamos quase todos os dias, trabalhando e utilizando a maior parte dos serviços de que necessitávamos. Por esta razão, considero que estou em Franca há 10 anos. 

O ano era 2007. Vínhamos de uma temporada de 1,5 ano na Inglaterra, mas trazendo nossa mudança de Rio Branco/AC, cidade para onde imaginávamos voltar depois da Inglaterra e onde nossa casa tinha ficado montada. Mas, no fechar das malas em terras da Rainha, uma inesperada viagem à China nos trouxe para Franca. Nenhum conhecido. Nenhuma referência. Eu, capixaba, sabia da existência de Franca porque havia francanos estudando em Ouro Preto/MG, na mesma época que eu. Mas era assim, apenas o nome de uma cidade.

No primeiro ano, nenhuma amizade construída. No segundo, conseguimos. Fizemos amizade com um casal – ele francano, ela paulistana – e somos muito felizes por isso. Por cinco anos, foram nossos únicos amigos por aqui. E quanta generosidade eles têm!! Foi ela quem me contou do edital de seleção para um projeto do Fundo Global de Luta contra Aids, Malária e Tuberculose, em parceria com o Ministério da Saúde. O edital pedia alguém com a minha cara, eu pensei. Necessitada de trabalho e dinheiro, lá fui eu. Selecionada, escolhi morar em Alto Paraíso, interior de Rondônia. Foi lá que morei em 2010 e 2011, como bem sabem os visitantes antigos deste blog.

Ainda em Cristais, em 2009, tentando driblar a solidão em que eu me encontrava, fiz amizade com um grupo virtual que foi uma ajuda excepcional para mim. Eles eram um bálsamo para os meus dias, e foram encontrados entre os comentaristas do finado Weblog, um blog sobre política internacional. Tínhamos um boteco virtual no extinto site Pandorama, onde conversávamos muito. Havia gente de vários cantos do Brasil e do mundo, mas ninguém da Amazônia. Uma vez em Rondônia, passei a relatar para eles como era o mundo lá. E assim nasceu este blog, que agora tento fazer renascer.  

O Mundo em que Vivo nasceu com duas finalidades: dividir minha vida com meus amigos; e despertar o meu olhar para as coisas boas que havia nas cidades rondonienses onde eu vivia. E deu muito certo!!! Cerca de 2 anos atrás recebi um comentário raivoso de uma moradora de Campo Novo, uma cidadezinha com poucos atrativos, longe de tudo. A moradora se revoltava com a visão positiva que eu passava da cidade, um lugar que, na opinião dela, não tinha nada de bom.

Foi com o blog bombando – entre meus amigos, porque nunca fiz propaganda dele – e com minha veia jornalística aflorada, que voltei pra Franca, em fevereiro de 2012. Meu marido já havia mudado nossa casa de Cristais para Franca, e eu passei a ter endereço francano. O resultado disso foi que o blog morreu! Minhas capacidades de observação e escrita morreram.

Eu não conseguia escrever sobre Franca! O mundo em que eu vivia de repente passou a não ter situações pitorescas que saltassem aos meus olhos e merecessem ser compartilhadas. A fonte secou. Mas, por quê? Seria o fato de eu estar fazendo doutorado? ou de Franca ser no Sudeste, a região onde eu passei a maior parte da minha vida; onde se encontra o jeito TV Globo de ser; onde moram tantos brasileiros?  Acho que não. Tudo aqui – relevo, clima, pronúncia, gosto musical, arquitetura – é diferente de onde venho, no ES.

Então em 2013 chegou às minhas mãos a Revista VAPO!

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VAPO!? O que é isso?

O número 1 da revista começa assim:

“Poucos são os francanos que desconhecem o termo VAPO!, utilizado como refutação ou surpresa diante de algo. É VAPO! para isso, é VAPO para aquilo…”

Foi com essa frase, de Lelo Júnior, que eu entendi o porquê de eu não conseguir escrever sobre Franca. Eu estava nessa região há sete anos e jamais ouvira essa expressão. Eu era capaz de ir e vir sem me perder, já sabia encontrar uma boa padaria, a loja onde comprar calcinhas, uma boa oficina mecânica, mas eu não conhecia a alma da cidade. EU NÃO CONHECIA OS FRANCANOS!

Assim que voltei pra cá, em 2012, comecei a ampliar meu círculo de conhecidos, muitos francanos entre eles. Fiz um curso sobre vinhos e dali saíram gostosas amizades; Conhecemos o dono de um barzinho delicioso – O Vilarejo do Monjolo – que foi e ainda é de uma generosidade ímpar conosco, nos levando pra dentro de sua casa, e pra dentro da casa dos seus amigos; comecei a trabalhar e a fazer doutorado, o que me apresentou a novas pessoas. Mas, depois de um ano, constatei que nada disso havia – ainda – me aproximado da alma francana.

De lá pra cá as aproximações foram se dando. Terminei o doutorado, diversifiquei o local de trabalho, passei a fazer parte de grupos de francanos no Facebook, fiz amizades entre os colegas de trabalho. Hoje estou mais próxima que nunca de entender a alma francana, mas ainda falta. Talvez sempre falte, visto que jamais serei francana. 

Em Rondônia eu era uma forasteira numa terra de forasteiros. Um terra recente, há pouco colonizada. Rapidamente fui acolhida e entendi a simplicidade do lugar. Em Franca sou forasteira numa terra antiga, de não-forasteiros. É assim que vejo os francanos, um povo enraizado, que saiu pouco de casa e por isso não compreende a necessidade de socialização dos que vem de fora; que tem vida e família muito bem estabelecidos, e por isso não acha, facilmente, espaço pra agregar novas pessoas. Não rapidamente.

Mas agora, janeiro de 2017, mês em que completo 10 anos de Franca, estou muito feliz aqui. Tenho finalmente amigos que alegram meus dias, tenho um trabalho onde sou respeitada. Láááá em 2013 guardei a Revista VAPO para escrever este texto. Láááá em 2013 a ideia virou semente. Pouco a pouco foi regada pelas minhas experiências cotidianas. Hoje este longo texto brotou dentro de mim, me acordou, me tirou da cama e exigiu seu nascimento. Começo a me sentir apta a escrever sobre Franca. A cidade, as pessoas, os lugares pitorescos, minhas vivências aqui. Afinal, este é o mundo em que vivo. 

Descobriremos juntos se há interessados neste mundo.

Cara nova

Quem conhece este pedaço faz tempo sabe que no cabeçalho havia uma linda foto tirada em Rondônia, com um azul de piscina maravilhoso. Como o foco do blog extrapolou Rondônia, quis mudar a foto. Ainda estou atrás do colorido perfeito. Primeiro coloquei uma foto da vista aqui de casa, mas estava sem o brilho característico. Agora coloquei esse por do sol, porque queria algo dourado. O que vocês acharam?

A foto foi tirada num entardecer na cidade de Keszthely, às margens do lago Balaton, na Hungria, em julho de 2006.

O Balaton é o maior lago da Europa Central. É, ou foi, um grande destino turístico, mas está decadente, pelo que pareceu a mim, e a uns amigos, que passaram por lá no último verão.

Nessa viagem de 2006 viajamos de motor-home, por 7 semanas. Dirigimos 11.000 Km, passamos por doze países. Vou procurar pelas minhas anotações de viagem. Quem sabe a gente curte essas férias relembrando aquelas?

 

 

Onde começa o Brasil?

Imagino que para cerca de 85% dos brasileiros, o Brasil começa em algum ponto dos 7.367 km de extensão do seu litoral marítimo. Por ali chegaram os descobridores, dali saíram os desbravadores, há cinco séculos dali saem aqueles que almejam ir para o centro cultural do mundo, ou velho mundo. Aí vive a maior parte e a chamada mais desenvolvida população brasileira.

E os 15.735 km de fronteira terrestre que o país tem com seus vizinhos sul-americanos? Será que aí acaba o Brasil? Depende do ponto de vista, não é mesmo? Imagino que para os 6.000 brasileiros que vivem na cidade acreana de Assis Brasil, o nosso país comece justamente ali.

Assis Brasil está localizada em uma das quatro fronteiras trinacionais que temos, precisamente onde Bolívia, Brasil e Peru se encontram. E foi lá que eu passei o 7 de setembro de 2011.

Dois anos atrás eu dividi com vocês a comemoração da Independência em Alto Paraíso/RO (aqui). Hoje estou em Franca/SP, onde houve um desfile cívico pela manhã, o qual não acompanhei. Há um ano fiz fotos da festa em Assis Brasil/AC pensando neste blog, e aproveito a oportunidade para mostrar aquilo que vi de diferente.

Prá começar, o desfile foi à tarde, novidade para mim. Como em quase todas as cidades pequenas do país, os alunos das escolas públicas – não há escolas privadas em Assis Brasil – desfilaram com sua banda marcial, dançarinos e com aquela marcha tradicional. O Exército Brasileiro, presente para proteger a fronteira e a soberania nacional, também mostrou sua força, desfilando com homens, carros e armas, e fazendo demonstrações de sua atuação. Os vizinhos peruanos trouxeram seus alunos, professores, banda, e participaram do desfile. A comunidade boliviana que vive ali é muito pequena, e não me recordo se estavam oficialmente presentes ao desfile, mas certamente estavam lá assistindo.

O desfile começa com um ex-combatente, e continua com a apresentação do Exército Brasileiro, batalhão de selva sediado em Assis Brasil:

Após o Exército, é a vez dos patrícios peruanos…

… e dos estudantes brasileiros:

Foi muito diferente prá mim, e gostei de assistir a tudo. O que mais me chamou atenção e surpreendeu é que à noite houve um grande baile na rua principal, aberto a toda a população, para comemorar a independência do Brasil. Baile, festa, comemoração! Algo além de um evento formal destinado a desenvolver/fortalecer o sentimento cívico na população.

Parece que esse sentimento, o de pertencimento ao Brasil, é mais visível e cotidiano ali, com quem convive diariamente com outra língua e outras culturas, e ouve no hino acreano, muito frequentemente executado em todos os eventos, que os seus avós e bisavós pegaram em armas para conquistar o direito de ser brasileiro.

Prá finalizar, fotos de rostos e cenas que capturei no dia.

Fotos do baile? Não tenho, pois fui dormir. Usem a imaginação e enxerguem as pessoas dançando um forró e um brega na rua. Sim, é possível que tenha rolado também um sertanejo, um funk, hip hop… nada é perfeito. hehehe.