Onde começa o Brasil?

Imagino que para cerca de 85% dos brasileiros, o Brasil começa em algum ponto dos 7.367 km de extensão do seu litoral marítimo. Por ali chegaram os descobridores, dali saíram os desbravadores, há cinco séculos dali saem aqueles que almejam ir para o centro cultural do mundo, ou velho mundo. Aí vive a maior parte e a chamada mais desenvolvida população brasileira.

E os 15.735 km de fronteira terrestre que o país tem com seus vizinhos sul-americanos? Será que aí acaba o Brasil? Depende do ponto de vista, não é mesmo? Imagino que para os 6.000 brasileiros que vivem na cidade acreana de Assis Brasil, o nosso país comece justamente ali.

Assis Brasil está localizada em uma das quatro fronteiras trinacionais que temos, precisamente onde Bolívia, Brasil e Peru se encontram. E foi lá que eu passei o 7 de setembro de 2011.

Dois anos atrás eu dividi com vocês a comemoração da Independência em Alto Paraíso/RO (aqui). Hoje estou em Franca/SP, onde houve um desfile cívico pela manhã, o qual não acompanhei. Há um ano fiz fotos da festa em Assis Brasil/AC pensando neste blog, e aproveito a oportunidade para mostrar aquilo que vi de diferente.

Prá começar, o desfile foi à tarde, novidade para mim. Como em quase todas as cidades pequenas do país, os alunos das escolas públicas – não há escolas privadas em Assis Brasil – desfilaram com sua banda marcial, dançarinos e com aquela marcha tradicional. O Exército Brasileiro, presente para proteger a fronteira e a soberania nacional, também mostrou sua força, desfilando com homens, carros e armas, e fazendo demonstrações de sua atuação. Os vizinhos peruanos trouxeram seus alunos, professores, banda, e participaram do desfile. A comunidade boliviana que vive ali é muito pequena, e não me recordo se estavam oficialmente presentes ao desfile, mas certamente estavam lá assistindo.

O desfile começa com um ex-combatente, e continua com a apresentação do Exército Brasileiro, batalhão de selva sediado em Assis Brasil:

Após o Exército, é a vez dos patrícios peruanos…

… e dos estudantes brasileiros:

Foi muito diferente prá mim, e gostei de assistir a tudo. O que mais me chamou atenção e surpreendeu é que à noite houve um grande baile na rua principal, aberto a toda a população, para comemorar a independência do Brasil. Baile, festa, comemoração! Algo além de um evento formal destinado a desenvolver/fortalecer o sentimento cívico na população.

Parece que esse sentimento, o de pertencimento ao Brasil, é mais visível e cotidiano ali, com quem convive diariamente com outra língua e outras culturas, e ouve no hino acreano, muito frequentemente executado em todos os eventos, que os seus avós e bisavós pegaram em armas para conquistar o direito de ser brasileiro.

Prá finalizar, fotos de rostos e cenas que capturei no dia.

Fotos do baile? Não tenho, pois fui dormir. Usem a imaginação e enxerguem as pessoas dançando um forró e um brega na rua. Sim, é possível que tenha rolado também um sertanejo, um funk, hip hop… nada é perfeito. hehehe.