O método científico é chato!

Entrei neste blog agora prá postar um texto novo. Boteco há muito abandonado, só consegui destrancar a porta após a quarta tentativa. Vira e mexe recebo notificações do correio de que alguém conseguiu entrar lá e deixar um recado. O último é uma crítica, que desconsiderei porque desconsidero críticas de quem não sabe escrever. Soberba minha, eu saquei há pouco tempo, com ajuda daquele site de casamentos onde a amiga da Nat candidatou-se a uma festa.
O que me surpreende sempre que retorno à este meu/nosso mundo particular, é notar algumas vidraças sempre limpas, de tanto as pessoas sondarem o seu interior. Os quartos onde guardo os garimpos, as cidades garimpeiras e a estrada, estão sempre com as vidraças limpas. Hoje, ainda pelo meio do dia, nove pessoas já passaram por aqui. Ontem foram 15, e antes de ontem, 25. Não há um dia sequer que não tenha um visitante perscrustando seus interiores. Dia 10 de outubro, dia de de aniversário de pessoas queridas, foram 77 visualizações no Mundo em que Vivo. Fátima e Rita fizeram aniversário, mas eu também ganhei presentes, ainda que só os tenha descoberto hoje.
Em contrapartida, vou presenteá-los com um texto novo, que de novo não tem nada, já que foi escrito em fevereiro passado, num restaurante de aeroporto, quando eu voltava do carnaval para casa:

 

O método científico é chato!

O método científico é chato! Este é o pensamento que passou há pouco em minha mente. Gosto mais dos meus escritos leves, sem necessidade de referências, coisas minhas, que não necessitam de comprovação prévia, de outros autores maiores e melhores que eu, para corroborar o que estou dizendo. Não!

Quero escrever o que penso, e só, sem compromisso com a verdade. Aliás, que verdade? E este é o ponto a que minha afirmação me levou. O método científico é chato! Para mim, obviamente. Há milhares de cientistas apaixonados pelo que fazem, e há mais milhares ainda de pessoas que gostam de método e de referências externas. Também meus pensamentos têm referências externas – obviedade de novo – mas não preciso explicitá-las a cada vez que me manifesto.

O que me incomoda nas frases afirmativas é sua arrogância, sua travestida intenção de verdade absoluta. O método científico é chato! A expressão oculta “Para mim”, que existe nessa frase, devia ser mais óbvia, clara, enorme. Tantas pessoas não a enxergam! Falha da nossa língua. Estará implícita em outra língua, ou as afirmações são arrogantes em todas as culturas?  Quisera ter experiência para responder a esta pergunta.

Na adolescência, Normanda, minha professora de Química, fez um teste psicológico com os alunos e disse que eu era desconexa. O teste facilmente identificou a personalidade de todos os meus colegas, mas a minha não. Eu era desconexa. E era mesmo. E sou ainda. Isso me incomodou por muito tempo, mas não mais. O fato é que não consigo assumir posições de 8 ou 80 (hummm, um pensamento infame passou em minha cabeça agora. Os leitores mais libidinosos entenderão). Para mim, não existem verdades absolutas, a não ser o fato de que é muito mais fácil e prazeroso escrever neste blog do que na minha tese de doutorado.  

Estudar os assuntos que estudo no doutorado é uma delícia. As sacações, as descobertas, tudo muito bom e é isso que, em boa medida me faz saber que tenho que continuar. Mas o texto escrito não flui, como este aqui. Não flui e não pode fluir. Tenho que voltar, sempre e sempre, a outros autores, e citá-los, citá-los, mas nunca parafraseá-los.  Quero dizer, parodiá-los.

Estou agora sentada em um restaurante e a frase que originou este texto passou pela minha cabeça. Pensei em escrever mas achei que não sairia mais que um parágrafo. Desisti. A ideia persistiu dentro de mim. Comece, comece…  cá estou, no sexto parágrafo, com o sétimo engatilhado. O texto flui, enquanto o garçom repõe minha taça de vinho. Será que preciso de umas doses prá escrever minha tese? hahaha

Escrever é bom porque nos permite perceber o que vai na mente. Ao escrever acima que o texto científico não pode fluir eu expus prá vocês aquilo em que acreditava, mas já desacreditanto. Não me parece natural que um texto original, qualquer que seja ele, não possa fluir. Devo estar estudando errado. Preciso ler e ler e ler; estudar, estudar e estudar; aprender, aprender e aprender, o que dizem vários autores. Absorver, criticar, misturar, liquidificar, criar… criar sem me esquecer dos créditos, da fonte em que bebi, daqueles lindinhos que me fizeram aprender, crescer e aparecer. Só assim continuarei sem ser a dona da verdade, mas poderei dizer que sou doutora em alguma coisa.

Mas tenho que fazer isso sem me esquecer dos fichamentos, né? Ah, tá. Então tá.

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