Cinema

Adoro cinema!! Uma das coisas difíceis de morar no interior de Rondônia era a distância do cinema.
Já em Franca… ai, ai. Havia 3 salas no shopping, que agora se multiplacaram em 5 ou 6, da Moviecom, mas… e os filmes????
E aí comeu? tá em cartaz desde junho, junto com outros infanto-juvenis. Por algumas coincidências e falta de outros filmes, assisti três vezes. O filme é legal, engraçadinho, mas prá uma vez e pronto. Perguntei o porquê do filme do Mazzeo ainda estar em cartaz e me disseram que é prá bater bilheteria. Globo filmes deve ser assim.
Hoje finalmente estreou um filme que adulto pode ver: À beira do caminho, filme de Breno Silveira com os ótimos João Miguel e Dira Paes e o menino Vinicius Nascimento, que está muito bem em seu papel. Com trilha do Roberto Carlos, vai agradar também aos fãs dele. É um filme sensível do qual gostei muito, porque fala de resiliência, justamente o que estou estudando no doutorado, e mostra as  estradas e paisagens do interior do Brasil, que me fascinam, como já sabem os leitores assíduos deste blog. Pois acreditem que a única sessão é às 18:50. Só tinha eu e Manuel no cinema, uma sessão só prá nós. Um luxo!!! Nos demais horários, Batman, Batman, Vingador do Futuro, Outback. Ufa!
Cinema é bom demais, mas o mercado e as distribuidoras…

Poupa Tempo

Este ano Franca ganhou uma unidade do Poupa Tempo. Para quem não conhece, este é um programa do governo de São Paulo que reúne um amplo leque de serviços e empresas prestadoras de serviços de natureza pública, num único lugar.
A primeira vez que utilizei um serviço do Poupa Tempo foi em uma unidade grande, num shoping center em Campinas. Não me lembro exatamente porquê fui lá, mas lembro-me de ter usado a internet e ter ficado muito bem impressionada. Hoje usei-o pela segunda vez. Fui renovar minha Carteira Nacional de Habilitação. Vou descrever o processo para que vocês avaliem e comparem com outros lugares.
Cheguei lá às 13:10h e entrei na fila da triagem, onde indicava “Detran sem prioridade”. Havia 3 pessoas à minha frente. Imediatamente fui acolhida por uma servidora que me perguntou o que eu queria. Ao dizer que era renovação de carteira, ela me perguntou se eu tinha em mãos original e cópia da CNH e do comprovante de residencia. Eu disse que sim e permaneci na fila. A fila foi super rápida, e a moça que me atendeu conferiu meus documentos, pediu que eu confirmasse os dados da carteira que tá vencendo, e me pediu que fizesse uma cópia da conta de telefone na página onde aparece a data de emissão da conta. A data de validade, que eu tinha fotocopiado, não serve para o Detran. Saí e exatamente ao lado fica o Sindicato dos Metalúrgicos, que faz xerox e tira fotos 3×4, e deve se dar muito bem com isso. Sem fila, paguei R$ 0,20 pela cópia e voltei ao balcão de triagem do Poupa Tempo. Imediatamente atendida, ganhei uma senha e fui encaminhada para o balcão do atendimento do Detran. Sentei-me, abri minha revista e não consegui terminar uma matéria de duas páginas. A moça simpática conferiu meus dados, digitou meu novo endereço, absurdou-se com o tamanho do meu nome, e me encaminhou para a próxima mesa. Sentei, li mais uns poucos parágrafos da revista, e a próxima mesa ficou liberada para mim. Aqui foi o lugar da foto digital, assinatura digital e registro digital das digitais dos dedos das mãos. A moça quis saber se meu nome estava correto e mostrou à colega ao lado, que parou o atendimento que fazia para pedir que eu recitasse (rsrsr) meu nome e ficou contando quantos nomes têm. É sempre assim. Dali fui marcar a consulta médica. Eram 13:55 horas. Fui informada que o próximo horário seria às 14:30h, e que eu poderia marcar qualquer horário até às 18 horas. Fiquei sabendo que a consulta demora em média 6 minutos e marquei para as 14:30 h. Atraso de 45 minutos. Uma pessoa antes de mim, o médico sai da sala e chama um funcionário, dizendo que o sistema travou de novo. Sistema consertado, entrei na sala do médico às 15:12h. Assinei papéis, tinha até um livro-ata do século XX prá eu assinar. Fui identificada pela digital, respondi que tenho boa saúde e uso óculos só para leitura, vi as letrinhas (nem todas, meu olho esquerdo não é lá essas coisas), as cores, e pronto. Em 4 minutos eu me dirigi ao Banco do Brasil, estrategicamente posicionado ao lado do consultório médico, e entrei na fila. Três minutos depois eu saí do banco com a taxa de R$ 91,28 paga e entrei na última fila, onde ganhei um protocolo para buscar minha CNH renovada em 48 horas. Às 15:23h eu estava na rua. Sexta-feira, após às 15h, devo comparecer lá para ter meu novo documento em mãos. Acho que podia ter optado por recebê-lo em casa, via Sedex, pagando um pouco mais, mas esse serviço nem me foi ofertado.
No fim da contas, com o atraso do médico fiquei lá dentro 2h10min, e em dois dias terei o processo finalizado.
Não me recordo quanto tempo levou minha última renovação. Lembro-me que morava em Cristais Paulista, aqui ao lado de Franca, e o fiz através de despachante da cidade, que é também o dono da auto-escola. Tinha a particularidade de mudança da CNH do Detran Acre para o Detran SP, o que requer mais tempo e impede comparação com esta de agora.
O atraso do médico me impediu de resolver uma pendência no banco, que tive que deixar para amanhã, mas estou contente. Por que não se consegue essa eficiência em outros órgãos públicos?
E vocês, que experiência têm? Já usaram o Poupa Tempo em SP? Seus Estados e cidades têm estrutura parecida?

Zona Sul

Recentemente estive no Rio de Janeiro e em São Paulo, nossas maiores cidades. Adoro passear nas duas.

O Rio está em obras. Avenidas, hoteis, contenção de encostas, metrô… em todo lugar – andei pelas zonas sul e oeste – vê-se essas obras. Túnel novinho e linha expressa de ônibus da Barra para a zona oeste que eu ainda não conhecia.  Tudo reflexo da Copa que vem aí, creio eu. Por todo o lado se vê também propagandas políticas do atual prefeito, candidato à reeleição. Outro candidato? Só vi uns dois cartazes em Santa Cruz. Acho que o Paes vai levar essa. Até porque a pacificação é a palavra mais usada. Parece que a cidade está mesmo pacificada, mais segura. Andamos pelo Parque Nacional da Floresta da Tijuca e havia pedestres, ciclistas, policiais, tudo transcorrendo muito bem.

Passeamos muito pela Joatinga, e mais surpresa para mim. Região rica, de magníficas mansões, sonho de muita gente lá pela década de 80, hoje está decadente. Muitas casas à venda, muitas casas sem manutenção, casas e terrenos vazios e abandonados. Que terá acontecido? Caiu o poder aquisitivo daquela gente? Não dá mais para manter casas tão grandes, tão caras? Os filhos cresceram, formaram suas próprias famílias e foram morar num apartamento na Barra? A violência urbana afastou as pessoas? Os moradores que podem pagar mudaram-se para um lugar mais na moda?

Em São Paulo hospedei-me no Morumbi, região que eu ainda não conhecia. Como a Joatinga, bairro residencial de classe alta, com maravilhosas mansões. Como a Joatinga, muitas casas à venda, muitas casas vazias e sem manutenção, um bairro algo decadente. é certo que as semelhanças acabam aqui, pois que o Morumbi é muito maior e tem uma parte comercial, outra com prédios, que não está decadente, mas me faço as mesmas perguntas que fiz acima, a respeito do Rio. O que houve? moda? queda do poder aquisitivo? insegurança???

Hospedamo-nos lá num esquema de “bed and breakfest”, muito comum na Europa. Pela internet, através de um site especializado, encontramos condições que nos eram favoráveis, relativas ao estilo da casa, preço e localização. A dona da casa fez contato e também gostou da gente, fechando o acordo. Fomos muito bem recepcionados, e logo ganhamos uma chave da casa, controle remoto do portão, acesso à geladeira… Muito legal e mais barato que hotel! Ela nos disse que recebe mais estrangeiros que brasileiros; disse que esses últimos estão sempre querendo tirar uma vantagem, fazer o acordo por fora para não precisar pagar a taxa de administração do site, essas coisas. Mas é uma modalidade de hospedagem que cresce no Brasil, e que quero continuar experimentando. Sites brasileiros têm surgido, inclusive.

A casa no Morumbi é muito charmosa, com arquitetura e decoração que nos agrada, mas deve ser demolida. Sendo bem próxima ao estádio do São Paulo, onde haverá alguns jogos da Copa do Mundo, todas as casas da rua serão desapropriadas para a construção de uma avenida e um monotrilho, que darão acesso ao estádio. Até aí tudo bem, disse-nos a proprietária, porque o bairro cresceu muitíssimo e o trânsito é inviável com as ruelas que tem hoje, mas… (sempre tem um mas) até hoje, ou até sexta passada, os proprietários não haviam sido notificados da desapropriação. Fiquei (quase) estupefata! A TV noticia os atrasos nas obras dos estádios e aeroportos, mas tem muito mais. Desconfio que essas notificações não ocorrerão antes das eleições municipais. Em 1,5 ano a prefeitura terá que desapropriar, demolir, construir avenida, monotrilhos… Será? a que custo? na parte que toca aos proprietários, a um custo “baixo”. Segundo ela, a prefeitura pagará 90% do valor do imóvel tal qual consta no IPTU, o que não dá prá comprar outro imóvel de mesmo nível num lugar legal.

Quanto a outras obras na cidade, pouco vi. Apenas a construção de linhas de metrô, que aliás expandiu bem suas linhas nos últimos anos. O trânsito continua caótico, mas agora há faixas exclusivas para ônibus e taxis nas principais avenidas. Bikes, vi muito poucas. De positivo, há que se dizer, muita polícia nas ruas. Um policiamento marcante, mas não ostensivo. Andamos por muitos bairros, centro, zonas sul e leste, e lá estavam eles. Gostei de ver. Em todos esses lugares vimos também muitos jovens recolhendo dinheiro nos sinais para construir casas para pessoas sem acesso à moradia. São voluntários da ONG Teto. Constroem casas simples para quem não tem nem isso, dando dignidade e ajudando a reduzir da pobreza. Uma bela iniciativa, que não é somente obra de caridade, mas que promove o encontro de realidades sociais distintas, empodera e amplia os horizontes tanto dos voluntários quanto dos beneficiados com moradia.

Para encerrar, uma frase de uma das voluntárias do Teto, encontrada aqui através do São Google, porque casualmente usou o nome deste blog em sua fala:

“Thalita Santos, de 22 anos, formada em Relações Públicas, participou pela primeira vez de uma ação do Teto. Ela integrou a equipe que construiu a casa da família de Ana Carolina, 17 anos, que vive com o filho Mateus, de apenas 3, na comunidade Souza Ramos, zona leste da capital. “Foi um choque, nem parecia que estávamos em São Paulo. Lá não tinha esgoto, água encanada nem coleta de lixo. E no mundo onde eu vivo, isso é tão básico…”, conta a voluntária. Para quem nunca havia pegado num martelo, Thalita superou as próprias expectativas. “Você se surpreende com você mesmo, com a sua força e a vontade de construir”.”

Agora, com a palavra, vocês que me lêem e sacam o Rio e São Paulo.

Voltando…

Oi pessoal! Há meses abandonei este espaço e meus fieis seguidores, mas ele não está às moscas. Todos os dias é visto, em média, 30 vezes. A maior parte dessas visualizações são em busca de garimpos de cassiterita, e agora os rondonienses começam a descobrí-lo. Infelizmente na hora de mudar o foco, mas os posts antigos continuam aí.

Um prazer que tenho é quando algum ex-garimpeiro se manifesta. A vida no garimpo não é fácil, mas parece que muitos trabalhadores da época áurea do Bom Futuro sentem saudade e hoje busam informações. Para eles, e por eles, em breve colocarei novas fotos de lá.

Por hora farei um comentário sobre duas viagens recentes que fiz, ao Rio e a São Paulo, e as impressões que tive de lá. Só prá ir retomando o fôlego. Ainda não sei falar do cotidiano aqui…