“Araucaria angustifolia” na Amazônia

Decidi dar uma pausa nos resumos da revista Manchete e fazer alguns posts pequeninos e leves neste fim de ano. Afinal, quero que todos entrem no espírito natalino, ou pelo menos no espírito festivo, de relaxamento, de f’érias.

Cerca de 1 ano e meio atrás, na primeira vez que fui a Campo Novo, vi uma araucária em meio a um quintal, na beira da BR 421. Como estava de ônibus, não pude parar. Durante todo o ano seguinte, e mais um pouco, passava por lá mensalmente, de taxi, o que também me impedia de parar. Hoje, de carro, parei.

Prá quem não sabe, Araucaria angustifolia é uma árvore, muito comum no sul do país, e também conhecida como Pinheiro do Paraná. Eu a chamo simplesmente de araucária. Foi muuuiiito derrubada no sul, mas ainda podemos ver lindos bosques dela. Seu fruto é o pinhão, famosa iguaria da culinária paranaense e catarinense.

Certa vez, em expedição com professores botânicos no Parque do Itacolomi, em Ouro Preto (MG), eles disseram que lá é o lugar mais ao norte em que ocorre, naturalmente, a araucária.

Bom, cerca de 1 ano e meio atrás (de novo!) eu prometi uma foto dela pro Colafina, amigo e leitor assíduo desse blog, natural e ser vivente de Santa Catarina, um vizinho apaixonado dessas árvores. Aí vai mais uma, a última.

Hoje finalmente parei, e descobri que essa árvore aí foi plantada uns 15 anos atrás. Havia outras, em meio a uma plantação de mandiocas, mas não foram cuidadas e morreram. Esse único pé que sobreviveu, me contou dona Balbina, não dá frutos.

Dona Balbina veio de Foz do Iguaçu, no Paraná, para Rondônia. Mora nessa casa há 20 anos. Teve 17 filhos, alguns dos quais ficaram no Paraná e ela nunca mais viu. Alguns morreram. Quantos? ela não sabe. Não se corresponde com a família há algum tempo. Mas outros vivem por aqui, em Campo Novo, em Ariquemes, em outras cidades por perto…

Finalizo com uma imagem do quintal da Dona Balbina, bem à esquerda de onde eu me encontrava ao fotografar a foto acima (a araucária estava atrás de mim, perto da estrada). Ela me pediu: “fotografa as flores.” Essas flores cor-de-rosa, aliás, são muito comuns aqui, e Dona Balbina me disse que são chamadas Flor do Amazonas.

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42 comentários em ““Araucaria angustifolia” na Amazônia

  1. Viu só? Promessa cumprida e com louvor!
    Quequel, esta araucária parece ser de uma espécie diferente das que temos por aqui. Senão, vejamos:
    – O tamanho, pelo que vejo na foto, é de um espécime adulto, porém a Dona Balbina diz que plantou há uns 15 anos, enquanto o pinheiro araucária atinge a maioridade aos 40 anos!
    – Os galhos têm a uma disposição normal, ou seja, nascem em alturas regulares formando uma espécie de anel no tronco, mas estão estranhamente finos, retorcidos e desalinhados.
    – as grimpas são mais longas, formando uma espécie de ‘cabeleira desgrenhada’ pela ação do vento, coisa que não lembro de ter visto em pinheiros por aqui.
    Arrisco dizer que, se não for de uma espécie diferente, o seu desenvolvimento pode ter sofrido algum tipo de degeneração em função do clima muito, muito mais quente! Será isso possível?

    1. Bom, sei que existem outras espécies, mas só sei dar o sobrenome angustifolia. Acho bonito, e nem pensei se seria outra espécie. O desgrenhado eu atribuí às condições climáticas adversas. Quanto ao tamanho, eu não tenho experiência muito vasta, mas achei essa pequena. Raquítica, talvez.

      1. Ah, sim, fininha, meio raquítica mesmo. Mas pela foto me pareceu bem alta, por isso achei que já fosse adulta. De qualquer forma, uma raridade, pena que não dá fruto para aumentar o pinheiral!! eheheh

    2. Moro em corumbiaria rondonia e tengo una treis muda de araraucaria quero planta por ser bonita e pra sombrea o solo quería ter muita Terra pra planta muitas qualidade de arvore principalmente de fruta pra ver os bicho comerem as aves beija flor mas so tem una chacrinha

  2. E prá variar, a qualidade do post é invejável. Foi só pra mostrar a araucária, no entanto contou junto a desdita da Dona Balbina e de sua família desgarrada…
    Coisa de gente sensível, especial!
    Um beijo!

      1. Damm, agora que entendi, lendo com calma. Como a pronúncia de uma palavra muda tudo! Em latim, pronuncia-se angustifólia, mas você estava lendo angusti-folía. hahaha

  3. Cola e Quel, uma coisa que pode ter influenciado na estrutura da árvore também é o solo. Pode inclusive ser por isso que as outras que foram plantadas não vingaram.
    Ah, e pra não perder o costume de ser mala: Quel, nenhuma gimnosperma, caso dos pinheiros, dá frutos. Acho que a D. Balbina se referia aos pinhões. 🙂

    1. O solo, claro… esse negócio de sempre falar e ouvir sobre Mudanças climáticas, tá me fazendo reduzir tudo. Tsc, tsc, tsc…
      Quanto aos frutos, caro consultor biólogo, certamente a Dona Balbina se referia aos pinhões. Talvez até tenha plantado as árvores pensando no fornecimento de mais uma fonte calórica (pros netos, neste caso, hehe). Mas, contudo, todavia, entretanto, os pinhões não são frutos?? são o que?
      Outra dúvida que tive ao escrever o texto refere-se à polinização. Ela não dá pinhão porque as condições locais (solo, clima, etc) não favorecem, ou precisa haver mais árvores prá haver polinização, ou troca de material genético, ou seja lá o que for?

      1. Quequel, os pinhões são a semente do pinheiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pinh%C3%A3o), e existem pinheiros fêmeas e machos, que existem em maior quantidade e não geram pinhas. Raros são os casos de pinheiros boiolas, mas existem! A polinização é feita pelo vento (http://pt.wikipedia.org/wiki/Araucaria_angustifolia).

        (Ah!, o que seria de mim sem São Google, o santo padroeiro da Igreja Googleana das Causas Desconhecidas, Incertas ou Não Sabidas, do qual sou devoto fervoroso? No mínimo, teria que apelar ao Darw a cada 5 minutos!)

        1. Por causa do Google a gente fica mais sabido, né? acaba sendo incoerente fazer perguntas num blog, porque ele é no mesmo ambiente em que se acham todas as respostas, a Internet. Um convite a espantar a preguiça de pensar.
          Valeu Cola.

    1. É, eu também gosto das histórias das gentes daqui, mas sempre tenho vergonha de perguntar, de pedir prá fotografar, de publicar… parece-me invasão.

    1. Todas não. Por que semente não é fruto? quero dizer, a semente da manga vem dentro da manga, a da laranja, dnetro da laranja, e assim por diante. Por que com o pinhão é diferente?
      Se existem pinheiros macho e femeas, um só jamais vai produzir, certo?

      1. É que os pinheiros fazem parte de uma divisão, chamada Gimnospermas, que não produzem frutos. Inclusive esse nome, Gimnosperma, quer dizer semente nua. A função do fruto é envolver a semente. E a semente é a estrutura que abriga o embrião. Por isso o pinhão é semente, e não fruto. Aliás, se vc corta um pinhão no meio, no sentido do eixo maior, dá pra ver direitinho o embrião.

  4. Adoro as Araucárias, essa é realmente bem diferente do que eu vejo aqui na região serrana.
    Quequel, seu talento para escrever sobre o cotidiano é notório, eu já te disse isso outras vezes.
    Agora é só deixar essa vergonha de lado, ser um pouco mais sem vergonha. Rsrsrs

  5. Olá, desculpe a invasão, mas nao faz idéia do quando foi animador esse post (estava procurar no google CILTIVO+ARAUCÁRIA+AMAZÔNIA+CLIMA+REGIÃO NORTE) assim achei seu Blog. Uma esperança imensa. Uma luz no começo do Túnel… rsrsrs
    Minha família veio do Paraná a 30 anos, em maio de 1982 para região de Xinguara, no Sul do Pará. Apesar de tanto tempo, todas as minhas referencias são sulistas, porque mesmo morando aqui no Pará, a ocnvivência sempre foi com sulistas que vivem por aqui. Então, a gente continua fazendo polenta, comendo churrasco nos moldes do sul, tomando chimarão, fazendo cuca, broa, queca virada, etc, etc… mas pinhão, uma raridade.
    Então recentemente voltei no sul e me perguntei sobre a possibilidade de cultivar a Araucária no norte, no clima amazônico enquanto eu me perguntava, minha mae plantava. (plantou dez sementes, nasceram nove, todas estão indo bem, apenas algumas desenvolvendo mais ráido que outras).. e já faz um mês que elas nasceram e estão medindo em torno de 15 centímetros, coisa mais linda… Um amigo contou que plantou várias e só uma sobreviveu uma, mas nao passou de metro e meio e morreu… Fiquei preocupado, mas essa notícia foi fantástica…. A Dona Balbina falaou de algum cuidado especial? Minha mãe usa água super gelada e gelo nos saquinhos… Nao sabemos se ha algum cuidado especial. Você tem alguma infomação pra nos ajudar???? Prometo informar sobre nossa aventura de cultivar Araucária no Sul do Pará… Muito bom o Blog!!!! Desde já agradeço se puder nos ajudar em algo… Abraço!!! Rivelino Zarpellon – Xinguara – PA
    Contato: zarpellon.adv@gmail.com

    1. Rivelino, se entendi direito as mudas que sua mãe plantou ainda estão nos saquinhos, então as condições podem ser melhor controladas. Quando plantá-las em definitivo é que pode dificultar, em função das condições do solo e do clima muito quente.

      O Marcelo Darw, que comentou ali em cima, é biólogo e levantou essa hipótese para o não desenvolvimento das araucárias lá da D. Balbina. Particularmente, acho que faz muito sentido.

      Um abraço.

  6. Veja só Quequel,há quanto tempo você nãomexenesseblog e ele continuamexendo com muita gente…Nãodesperdice seu talento amiga.
    Boa sorte para Rivelino!

  7. Pois é, Fátima, você disse tudo… um desperdício de talento!
    Ânimo, Quequel, desgrude um pouco do Manoel, e escreva para a alegria da sua legião de fãs!!

  8. Obrigado pela atenção de Colafina e pela força de Fátima.
    Nossas Araucárias ainda estão nos saquinhos, já mendem de 18 a 25 cm e uma delas já começa a soltar pequenos galhos. Estão lindas e se nao der certo vou ficar muito triste.
    Estou pesquizando sobre como melhorar o solo para nossas árvores.
    Abraço a todos!!!

  9. Boa sorte Rivelino, espero que suas mudas peguem. e que suas pesquisas deem “bons frutos”. Já pensou que maravilha? Pinhões no Pará?
    Fiquei imaginando esses pequenos galhos se soltando no saquinho. Já é um bom sinal. Que vinguem!!!

    Abçs!

  10. Caro Rivelino,
    desculpe não ter lhe respondido pessoalmente. Como o Colafina é autoridade maior no assunto, e eu andava meio sumida dessas bandas, deixei por conta dele.
    Sou pessimista quanto à sua araucária dar frutos na Amazônia, mas o mundo precisa de pessoas otimistas e perseverantes como você, acreditando e cuidando dos menores sonhos. Torcerei para que suas árvores dêem frutos um dia, e que você esteja bem vivo para presenciar isto.
    Seja bem-vindo e manifeste-se, sempre que o assunto lhe interessar.

  11. Nossas mudas de Araucária morreram todas, mas descobri uma araucária adulta em São Felix do Xingu, às margens do Rio Xingu, no Pará. Tenho fotos, mas nao sei como postar pra vcs.

    1. Rivelino, promessa cumprida, a de voltar aqui para nos informar sobre as suas árvores. Que pena que não vingaram! Vou te enviar um e-mail para que me mande as fotos e eu faço um outro post com as fotos. Combinado?

  12. Estou estudando a possibilidade de plaltar Araucaria em minha chacara em Buritis Ro.
    Fiquei contente em descobrir que bem perto daqui existe um pé dela, no terreno da dona Balbina.
    Já estou curioso pra ir até lá, conheço bastante a Br 421, a mais de 40 anos moro na regiao do vale do Jamari.

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