Marchinha de carnaval

No post passado Gracinha chamou atenção para que a música “Vou não, posso não…” vai bombar no carnaval. Eu prefiria que bombasse essa marchinha aqui, que é do carnaval de 2009 e eu demorei 2 anos para ouvir.

Há um certo movimento de recuperação das marchinhas, o que louvo muitíssimo. Adoro carnaval, e com marchinhas. Não sei se em Rondônia há alguma cidade que faça esses incríveis e antigos carnavais, mas no mundo em que vivo eles existem, ainda que eu não esteja andando por lá 😦 .

Essa, segundo apurei no São Google das causas quase perdidas, é de Marcelo Quintanilha, se chama Cadê Xoxó e foi lançada no site KibeLoco em 2009.

Divirtam-se, riam e, aos mais conservadores, não se encabulem.

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Dando o clima

As duas músicas que mais tocaram, e uma reportagem da TV local.

Dessa – Casa das primas – eu aprendi a gostar de ouvir:

Ela acabou por fazer parte de um duelo, porque houve uma resposta feminina, mas esta nao toca tanto aqui. Coloco como curiosidade, principalmente prá quem é de fora e não ouve esse tipo de música.

Agora, a reportagem, que traz um resumo da corrida.

Exibicionismo

Assunto corrente nas rodas sociológicas atuais, o auto-exibicionismo veio prá ficar. Acho que haverá, no futuro, um recolhimento, mas ainda demora um pouco.

Atendendo ao pedido de todas as pessoas que não conheço, mas que, vendo-me com a Poderosa 2.0 sem zoom na mão, ou gritaram coisas do tipo: “Tia, uma foto aqui”; “Qual é o site, qual é o site?” ou simplesmente abriram um sorriso, os braços, e postaram-se imóveis aguardando o click, farei o que posso para ajudá-los a tornarem-se celebridades, colocando suas fotos neste site tão bem e intensamente visitado.

 

Por último este senhor, que não pediu para ser fotografado, mas foi tão simpático, rindo-se do beijo de cinema que acontecia ao nosso lado, que pedi para fotografá-lo. Valeu a pena, a foto ficou muito boa. Agora só falta descobrir quem ele é para presenteá-lo.

Domingo

A manhã de domingo começou com perguntas perturbadoras. Pra quê tanto pisero? Pra quê tanta cerveja? Na hora boa da festa, eu não tinha mais energia prá me levantar da cama. Vamos Raquel! Ramuu! Força mulher! Uma vez de pé, lancei-me escada e rua abaixo para comer comida de verdade. Tapioca com carne moída e ovo frito no Açaí (Açaí é o nome da lanchonete, viu gente?) seguida de um enorme sanduba de pão com pernil, calabreza e outras cositas más, devidamente acompanhadas por aquele veneno negro cujo nome começa com coca e termina com cola, foram suficientes para levantar este corpinho fofo. A carona que ganhei até o jericódromo terminou de salvar o meu dia. Jericódromo! Adoro este nome! Quando cheguei a corrida de quadriciclos já acontecia.

Descobri um lugar enorme, que me pareceu maior que na quinta-feira, quando estive lá pela primeira vez. Além da pista e arquibancadas em volta, tinha muito espaço ainda pros desinteressados pela corrida, que foram lá só mesmo pelo pisero. Uma área grande, com uma lama preta, que eles aqui chamam de podre, onde qualquer um podia colocar o seu carro e ficar dando uns cavalos-de-pau, ou sei lá como se chama aquilo. Ahh, santo pisero que aliena!

Também eu perdi quase toda a corrida. Sem um competidor por quem torcer, a disputa fica mais fria. Posso dizer-lhes que além da corrida de quadriciclos, que deve ser uma delícia e foi patrocinada pela revenda local da Honda, houve duas categorias de jerico, de 1 e 2 cilindros. Foram nove inscritos na categoria de 1 cilindro, e 12 na de 2 cilindros. Prá cada categoria, 3 baterias iniciais, eliminação do último colocado, uma semi-final e a final. As inscrições aconteceram em sua maioria no domingo mesmo, e são gratuitas; a maior parte dos corredores é de Alto Paraíso, mas veio gente de fora, como o Luizinho, de Buritis. Como prêmios, para cada categoria, 1 moto FAN para o primeiro colocado; uma moto POP para o segundo colocado; e dinheiro para os 3º e 4º lugares, se não me engano R$ 3.000,00 e 1.500,00, respectivamente.

Abaixo algumas fotos da área onde os jeriqueiros aguardavam o início das corridas. A primeira foto é do Silvinho, sentado no jerico de um amigo e concorrente. Vereador, dono de uma oficina de jericos em Alto Paraíso, e um dos campeões habituais da festa, este ano Silvinho ficou em segundo lugar na categoria de 1 pistão. Parabéns Silvinho!

Na segunda foto, com amigos, entre eles Dinei, em pé mais à direita, que mostrei prá vocês treinando na quinta-feira.

Flagrantes incríveis que a minha Poderosa 2.0 sem zoom fez da corrida:

Abaixo Gilberto, amigo e apoiador do Luizinho, que correu por Buritis.

Finalmente, foto de um dos campeões. Marcelo Bogorni, com apoio da Prefeitura de Cujubim, ficou em primeiro lugar na categoria de 1 cilindro. Com 25 anos, Marcelo concorre desde a 4ª corrida, 6 anos atrás. Já ficou 1 vez em 4º lugar, 1 vez em 3º lugar e 2 vezes em 2º lugar. Agora, finalmente, venceu a corrida. O acelerador do seu carro quebrou na largada da final, e ele correu acelerando com a mão. Como essa corrida pode ficar emocionante! Vejam a felicidade estampada no rosto do Marcelo:

Aqui, foto dos irmãos Bigorni com sua mãe, de boné amarelo, e sua tia. Marcelo, que ficou em primeiro e já foi apresentado, e Dirceu Bigorni, que ficou em segundo lugar na categoria de 2 cilindros. Parabéns aos dois, e à mamãe coruja.

Finda a festa me perguntaram o que achei.

É uma festa que não serve para pessoas conservadoras ou religiosas, e nem prá aqueles que não gostam de pisero. Porque tem pisero. Então, acho que o padre tem todo o direito de não gostar da festa, e que devia promover um retiro para os seus fiéis que quisessem se ver livres do furdunço.

Sou capaz de compreender que o prefeito, não gostando de festas e conhecendo boas festas por aí (imagino eu que ele conheça) queira organizar melhor esta e promover um evento de melhor qualidade, por que eu, pessoalmente, gostaria de ver o mesmo. Mas, definitiva e sinceramente, as pessoas adoram a festa do jeito que ela é.

É a festa que faz o público ou o público que faz a festa? Provavelmente existem os dois tipos, mas aqui é o público que faz a festa, e seria necessário muito dinheiro para inverter isso no sentido de oferecer uma festa melhor e que, ainda assim, agradasse a grande público.

Prá que o leitor compreenda melhor o meu ponto de vista, é preciso dizer que quando grupos como É o Tchan começaram a esculhambar a música brasileira, eu era uma garota de 20 e poucos anos que não frequentava o sul da Bahia e que me divertia em noites mineiras, bebendo muito mas ouvindo boa música pelas ladeiras centenárias de Ouro Preto. Quando o Bonde do Tigrão e as Cachorras chegaram arrasando esse país com sua péssima música, eu já tinha meus 30 e tinha um gosto musical mais refinado, não cedendo aos encantos marqueteiros da indústria fonográfica para sair por aí rebolando e passando a imagem de que sou uma cachorra e que estou a fim. Nesses últimos 10 anos, estive casada e quieta no meu canto. Não acompanhei a evolução das festas feitas por público jovem, como é esta daqui.

Quanto à famosa libertinagem que tanto ouvi sobre a festa do Jerico, ela não feriu meus olhos, nem seus sentidos. À medida que envelheço fico mais exigente, mas não sou hipócrita. Não vi nada aqui que não se veja no Big Brother atual, o que me sinaliza que esse tipo de comportamento liberal seja uma característica dos jovens atuais, que nasceram e cresceram junto com o funk das cachorras e dos tigrões. Reafirma também, com clareza entristecedora, a influência poderosa da televisão e do marketing, que disseminam seu produto a todos os rincões desse país. Com relação aos odiosos carros de som, já sofri muito com eles no interior de São Paulo. É sinal dos tempos, e se não curto, é sinal de que passei dos 40.

Dito isto, quero dizer que o que mais estranhei é que, tanto o movimento aqui na rua, quanto o pisero no jericódromo, não me pareceram como uma festa única, onde as pessoas que têm interesses comuns se reúnem para assistir, conjuntamente, a um show ou à uma corrida, mas como uma reunião de centenas de festas grupais, onde cada um vive, individualmente, sua concepção de diversão: beber, dançar, beijar na boca e exibir-se.

Por exemplo, havia na programação oficial da festa um desfile de jericos na tarde de sábado. Fiquei eu pensando na rua interditada para o desfile, com um palanque e locução, e público interessando em assistir ao desfile. Mas não é isso. São vários carros passando na rua prá lá e prá cá, em meio aos jericos do desfile, o que me pareceu, na hora, como o movimento normal do dia. Só depois de domingo, quando eu conheci os competidores, e reconhecendo-os nas fotos que tirei no sábado, é que tive certeza de que aquele era, efetivamente, o desfile. Não sei a que horas começou, nem a que horas terminou, pois a movimentação de carros e motos na rua perdurou todo o tempo, à noite inclusive. Então, a festa é feita pelos que param seus carros com aparelhagem de som e bebem e dançam perto dele; pelos que montam seu acampamento próximo a esses carros, e bebem e dançam próximo a eles; e pelos que ficam gastando gasolina prá lá e prá cá, se exibindo em seus carros, ou acelerando muito as suas motos, sem sair do lugar, para poluir o ambiente com barulho ensurdecedor e monóxido de carbono à vontade.

No ano que vem eu quero estar presente só no domingo, mas quero que a festa aconteça inteira, porque vejo que é isso que a cidade quer. As pessoas se soltam e extravasam como no carnaval, e eu penso que isso faz bem para nós, seres humanos. Democracia é a ordem, sem contar que, neste caso, cabem as duas concepções da palavra democracia: governo do povo; e governo do demo. hahahaha. Brincadeirinhaaa.

Prá finalizar, devo ressaltar algumas coisas:

Este ano realmente veio menos gente que nos outros anos, o que eu chei muito bom. Estava com medo de querer ir dormir e não conseguir me locomover até a minha casa;

Não vi uma briga sequer, e achei isso porreta.

Té, o ex-prefeito que citei dias atrás, disse-me que uma das intenções da festa era tornar o jerico um veículo legal. Isso não aconteceu oficialmente, mas o jerico entrou definitivamente na cultura popular e ganhou o status de carro legalizado, pois que as blitz da polícia só prenderam motos.

Uma última notícia, para os meus leitores do sul do país que estão tristes por não terem podido estar aqui. A corrida de jericos foi exportada para o Paraná. Serranópolis do Iguaçu teve a sua última competição em novembro de 2010. Ou seja, esse ano tem mais. Prepare suas malas Colafina, que essa é mais pertinho de você.