Viver em Rondônia 3

Prá você que está chegando aqui agora, um aviso: Este post, denominado “Viver em Rondônia 3”, começa falando da política local, mas saiba que a política local não é a tônica do blog. As minhas experiências aqui, o meu olhar de recém-chegada numa terra diferente, é que devem ser mais frequentes. Os relatos destinam-se, originariamente, a mostrar um pouco de Rondônia prá quem nunca veio aqui, mas comentários de rondonienses são bem vindos, pois enriquecerão muito o meu olhar e, consequentemente, o olhar dos leitores de longe.

Os posts denominados Viver em Rondônia 1, 2 e 3 foram copiados do site Pandorama. Mantive os títulos para ajudar aos leitores de lá a identificarem aquilo que já leram. A partir daqui, terão títulos mais criativos.

Abaixo, as últimas cópias do pandorama:

quequel em 03/01/2011

Já tenho algumas coisas escritas sobre Campo Novo, mas resolvi iniciar esse #3, o primeiro de 2011, com o discurso de posse de Confucio Moura, empossado governador de Rondônia ontem. Trechos retirados do blog dele.

Desejo vida longa para Confucio e excelente governo para Rondônia.

Discurso de posse, proferido em 01/01/2011.

AGRADECIMENTOS1. Agradecimentos a família, ao partido, aos partidos aliados, ao povo de Rondônia2. AGRADECIMENTO AO VICE-GOVERNADOR AIRTON GURGACZ3. Agradecimentos aos amigos de Goiás, Tocantins que estão presentes (Josa, Hagahus e Anísio de Souza)4. Cumprimento à justiça eleitoral brasileira pela administração das eleições dentro de um novo conceito – ficha limpa5. Aos devotos – pastores, padres, amigos, parentes e ao Nóbel Moura que fez uma promessa diferente – de vir de Ariquemes à Porto Velho correndo (20 km/dia) e chegou hoje.6. Agradecimento ao povo de AriquemesQuero saudar o povo de Ariquemes, que sempre esteve a meu lado, ali moro e tenho particular gratidão pela acolhida, apreço e prestígio que sempre me devotaram. Ali manterei o meu permanente endereço.Estou satisfeito e honrado em ser empossado hoje no cargo de Governador do Estado. E estou certo que esta vitória não veio à toa, mas, sim pelo somatório de mandatos já exercidos. Isto mostra que tudo é possível em nossa existência, mesmo aquilo que não havia planejado ser.Sou de uma terra de gente pobre e que ninguém se sentia rejeitado, que terminava uma pobreza rica, porque se tinha um orgulho esquisito de se ter muita ambição.Sou de uma terra brasileira, que não tinha região certa, que não era Norte e nem Nordeste, muito menos Centro Oeste, mas, um belo sertão de campinas, veredas sem fim, bancos de areões da Bahia, Piauí e Maranhão, mas, que também era Goiás que virou Tocantins.Sou de uma terra de gente humilde, cuja ferramenta mais importante era o livro. Poucas escolas, muitas idéias e que se pegava a estrada do mundo bem novo, mas, sempre preso aos laços da tradição;Sou da terra de brasileiros abnegados, devotos por soluções, de tão esquecidos e distantes criavam tudo com as próprias mãos. Não tinha de quem esperar. Eu mesmo sou um barro bruto que pegou forma pelas mãos de professores como Osvaldo Póvoa, Carlos Alberto Wolney, Padre João Magalhães, Madre Aranzazu, Stela, Amparo, Fuencisla – estas pessoas domavam o atraso impregnando luz nossas mentes sertanejas;Sou de uma terra inesquecível de sonhos tão fortes, que parecíamos tão iguais como num socialismo perfeito.Sou de uma terra de gente ousada, que não esperava nada do Brasil de outras bandas:Hagahus Araujo – criou o Instituto de Menores há mais de 50 anos para abrigar a juventude paupérrima e de lá se formaram médicos, advogados, professores, empresários, cidadãos dignos; Ele que foi Prefeito, Deputado Estadual, Federal e hoje está aqui para me honrar de corpo presente. O seu principio é simples – direitos e deveres como pratos de uma balança que devem andar em equilíbrio permanente – como uma educação com base no trabalho.Sou desta terra que a gente tinha que buscar a solução ali mesmo.É por isto que estou aqui e agora, recebendo o mandato de Governador de Rondônia, com esta força imensa na veia de gente destemida que encara a vida como ela é e vai em frente.Herdei do meu pai a inquietude e o sentimento de aventura.  Ele não se acostumava com o mesmo lugar, amava o risco e se expunha integralmente. Não podia ouvir falar em cidade nova, em garimpo novo, em eldorado. Foi com este sentimento Bandeirante que cheguei ao Estado de Rondônia. Só houve uma diferença, vim e não saí mais.Foi bom ter ajudado Rondônia crescer. Foi bom ter sido também médico de garimpos.  Foi bom ter sido médico de seringueiros. Foi bom ter sido médico de colonos aventureiros. Foi bom ter assistido a transformação de Rondônia que evoluiu de duas cidades para cinqüenta e dois municípios.A única arrogância permitida ao líder é o desafio. A ele compete enfrentar até mesmo o abismo que se descortina a cada dia. Não pode se acomodar diante do perigo, do conflito e da contradição, enfrentar para mediar, resolver, negociar e alcançar a paz e o acordo.Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Este é o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos do Homem – ONU 1948 – Eu acredito neste principio, desde que se possa oferecer para todos, igualmente uma boa escola, uma boa saúde e oportunidades.É sempre com este artigo na cabeça com irei movimentar o meu governo, pra sempre gerar oportunidades às pessoas.  E o princípio básico é a educação de qualidade para pobres e ricos.Da outra parte é abrir as portas para a igualdade nas disputas das compras governamentais. Em todas as suas formas, desde abrindo as portas do Governo para as compras governamentais para todos, chamando os pequenos empresários para participar, auxiliando na formalização dos microempreendedores.O segredo para a solução é a capacitação, a profissionalização dos jovens para que vejam as janelas abertas da prosperidade.O QUE É A NOVA RONDÔNIA?A NOVA RONDÔNIA é um simples slogan de campanha. É a Rondônia de sempre investida de novos compromissos. E tudo que a primeira vista pode ser simbólica, passa a se concretizar com algumas ações simples1.    O plantio de uma árvore na porta do palácio – o mogno – e daí em todas as secretarias, autarquias e representações no Estado, no mesmo dia 4 de janeiro às 16 horas.2.    Encontro com empresariado nos primeiros quinze dias – principalmente fornecedores para entender como será a NOVA RONDONIA – para se estabelecer uma nova relação entre o Estado e iniciativa privada. Com apresentações da Emília, SEAGRI, SEDAM, SUPEL.3.    Pacto da governança – Logo depois da posse da Nova Assembléia, com a participação do MP, MPF, TCE, TVU, OAB e OBSERVATÓRIO SOCIAL – um pacto de governabilidade para reduzir possíveis resistências e voar para o mundo das metas e dos controles.A NOVA RONDONIA – terá portas abertas e com salas VIPS para os micros, pequenos e médios empresários, como também para os produtores rurais.NOVA RONDONIA – não terá segredos. Quem tiver os seus que não me procurem. Não tenho compromisso com sigilo de atos de rotina, de procedimentos e formalidades de Estado.INCENTIVOS FISCAISEste é um poderoso instrumento de desenvolvimento local. Que deve ser oferecido para grandes, médios e pequenos. Além promover a justa distribuição do desenvolvimento no Estado inteiro.Além da política de incentivos para atrair empresas, deve o Estado aproveitar o momento para implantar no Estado a infraestrutura necessária para atrair empresários:Um novo porto, aeroporto internacional, boas estradas, energia farta, gás natural, ferrovia, eclusas e aumento da produção de carne e leite através da modernização do setor, além das oportunidades de negócios para os vizinhos da América Latina e para o mundo inteiro. A saída para o Pacífico. A união dos oceanos. Com isto – virão os novos meios de modernização de nossas empresas com a ZONA DE PROCESSAMENTO DAS EXPORTAÇÕES – ZPE.Segurança Jurídica para investimentos e regras claras para assegurar ao investidor neste Estado às garantias do retorno do seu capital. MEIO AMBIENTEA minha política é do desmatamento zero. E fortalecer a boa e necessária relação com o setor produtivo madeireiro, agricultores e fazendeiros, para que de agora em diante, a riqueza deste Estado deve perseguir outros fatores modernos de produtividade, como sejam as recuperação de pastagens degradadas, o plantio de árvores, a criação de peixe, o manejo florestal desburocratizado, rápido e legal.Tudo centrado em duas bases – a Regularização Ambiental e Regularização fundiária. Estas políticas devem ser perseguidas como causas maiores do nosso desenvolvimento.O zoneamento econômico e ecológico – como poderoso instrumento de planejamento e desenvolvimento.Não quero ver a riqueza natural olhando a pobreza humana. E tudo será diferente com ciência, pesquisa e tecnologia como instrumentos poderosos de preservação ambiental.Eu assumo o compromisso de fiscalizar a política ambiental no Estado junto com os nossos fiscais, a Polícia Florestal – o que é bem melhor e saudável do que permitir, permanentemente, que a Força Nacional, Policia Federal, até mesmo o Exército invada o Estado em suas operações de guerra.Comigo eu farei este serviço permanentemente de forma que o Estado assuma uma nova consciência de desenvolvimento com a floresta em pé.INFOVIA MULTIMÍDIA RONDONIAEu quero Rondônia coberta por ondas de Internet, por fibras óticas, ondas de rádio wireless, quero dados, voz e imagens formando a maior nuvem de iluminação dos nossos céus. Eu quero que estas ondas levem para todos os cantos e recantos deste Estado à integração completa do nosso povo. A educação de qualidade, as redes de contatos, a regulação dos serviços de saúde, os dados da segurança pública. Quero todo mundo conectado com todo mundo.No mais é a tecnologia da Informação dando preferência ao software livre.A PESQUISA CIENTIFICACriarei a Fundação de Apoio à Pesquisa Cientifica nos próximos três meses. Darei a devida regulamentação e ajustarei no Orçamento do Estado os recursos para prover o inicio de suas atividades.Um Estado sem pesquisa cientifica jamais será capaz de orientar o seu próprio desenvolvimento. SEGURANÇA PÚBLICAEste um clamor nacional e nosso também. É a integração entre todos os órgãos de governo para o enfrentamento do crime, do vício das drogas e se promover ações preventivas nas escolas e no tratamento dos doentes químicos.Ações centradas na informação competente e no movimento do pessoal de acordo com a necessidade. Uma política de segurança pública progressivamente eficiente para que a população possa confiar no governo.SEGURANÇA ALIMENTAR Perseguirei com a implantação dos bancos de alimentos, para que possamos combater o desperdício de comida no Estado;A implantação de dois restaurantes populares na cidade de Porto Velho com baixíssimo preço da comida e com boa qualidade nutricional, tendo como principio a compra direta da agricultura familiar e com o gosto dos nossos costumes alimentares.Da mesma forma, três mercados populares na cidade de Porto Velho, nos bairros para que a população de baixa renda possa adquirir comida de qualidade com preços mais baixos.A TEORIA DA ORGANIZAÇÃONão vou jogar dinheiro fora. Qualquer dinheiro público em Associações, Cooperativas, entidades deve antes de tudo serem conhecidos os seus perfis de organizações.Sem organização vem o caos. O desperdício e o falso crescimento.  Por isto, todo mundo deve ser treinado, fiscalizado e avaliado. A técnica da preparação massiva é uma extraordinária possibilidade de desenvolvimento inclusivo. Vamos preparar técnicos de desenvolvimento econômico, pela técnica de preparação massiva do Professor Clodomir Santos de Moraes.PRESIDIOSA palavra de ordem é o da humanização dos presídios, centrado na dignidade da pessoa humana, na educação e no trabalho dos apenados. A busca do recurso no Ministério da Justiça e outras Secretarias Nacionais para nos atender na consecução dos nossos objetivos.EDUCAÇÃONo meu PLANO DE GOVERNO – eu assumo frontalmente o meu compromisso com a EDUCAÇÃO.  Educar para incluir. A juventude só sairá do mundo da violência e das drogas se tiver aberta – A PORTA DA ESPERANÇA. E esta porta chama-se EDUCAÇÃO.Educação com metas de desempenho, boa gestão, foco no aluno, avaliação permanentes, controles rígidos e boas escolas. Além do mais com os professores respeitados, qualificados e comprometidos.A Universidade Estadual que entrará em ação gradualmente, a principio com a modalidade à distância com tutoria para todo Estado. E a educação integral da mesma forma.SAÚDESou médico e conheço a saúde pública. Conheço as suas duas grandes deficiências históricas – o baixo nível do gerenciamento dos serviços e o subfinanciamento crônico. Diante disto, tenho condições de garantir que irei melhorar os serviços.1.    Tirar os doentes do chão e das macas no Pronto Socorro Estadual de Porto Velho;1.    Colocar um avião a disposição dos municípios de fronteiriços e distantes;2.    Regionalização efetiva3.    Implantação de consórcios de saúde4.    Modelos complementares de atendimentos, organizações gerenciais, filantrópicas, oscips.5.    Parcerias com entidades civis e religiosas que cuidam de dependentes químicos6.    Apoio integral a gestante e à criança7.    Apoio aos municípios para os projetos de saneamento ambiental e destinação dos resíduos sólidosSERVIDORES PÚBLICOS EFETIVOSSempre me dei bem com os servidores públicos. E vou continuar do mesmo jeito. Quem tem recursos humanos bem preparados move o mundo inteiro. Não terei nenhuma greve no meu governo. Todo mundo sabe fazer conta e saberá entender os limites do Estado que são previstos em lei.IMPRENSANenhuma novidade. A relação com os órgãos da imprensa do Estado, com certeza, será a mais cordial e respeitosa possível. Valoriza a imprensa livre, investigativa e defensora do interesse do Estado e do povo.A MINHA FAMÍLIA Não poderia, mais uma vez, num momento importante como este, deixar de agradecer a minha esposa Maria Alice Silveira Moura, pelo apoio, pela vida discreta e reservada voltada exclusivamente a sua profissão. As minhas duas filhas – Bárbara e Débora. Genro Guilherme e netas.Alice está convidada por mim, para de agora em diante me acompanhar de perto, ela que sempre foi alheia ao ritual da política, gostaria que agora preciso dela como suporte indispensável para o meu próprio equilíbrio emocional e apoio.A minha mãe, que participou mesmo em cadeira de rodas, da minha campanha eleitoral, dando depoimentos verdadeiros, que foram importantes para a minha vitória. Aos irmãos, que aqui vivem Dr. Nobel, Cláudia, Cira, Vanda               que estão presentes neste ato e que também em muitos momentos estiveram ao meu lado na vida política e profissional. Ao cunhado Dr. Marciano Rafael da Silveira que administra com competência a nossa sociedade privada e ao Francisco de Assis Oliveira que coordenou esta campanha com imensa qualidade.Ofereço este mandato à memória do meu pai – Zeferino de Sena Moura, que sempre esteve próximo da política desde os tempos de JK, foi candango em Brasília e contribuiu com seu esforço pessoal, como pedreiro, da construção do prédio do Congresso Nacional.      Está sepultado nesta cidade de Porto Velho.CONCLUSÃOO povo de Rondônia deve se reencontrar com a esperança, a sem ela nada acontecerá. Além do mais, deixar de se iludir com o sucesso dos outros e deixar de copiar os modelos existentes mundo afora. Habitualmente as soluções estão próximas de nós mesmos.Henry Kissinger já dizia que a complexidade não pode ser afetada pela pouca velocidade. É por isto que temos pressa, porque o meu mandato tem prazo para iniciar e terminar e os desafios são grandes e a vontade de resolver é muito maior.Vamos companheiros, juntos, dar a Rondônia o que ela merece que é a credibilidade, eficiência e justiça social, como base – PENSAR GRANDE, COMEÇAR PEQUENA E TER PRESSA (Carlos Alberto Julio) 

#1 quequel em 03/01/2011

Aqui, trecho de um texto também do Confucio, publicado no blog no dia 31 de dezembro, com o título “Dilma lá e eu aqui”. Reproduzo porque achei o texto interessante.

“[…] Ela lá e eu aqui, dentro de um pedaço importante da federação brasileira, neste Norte e Oeste grandão e polimorfo, verde degradeado em escalas e riscado por rios, igarapés, igapós e lagos. Por cima a imensa concha azul do céu. Que mais  se faz por aí a nos confundir sempre com o Acre, Roraima e quando vez nem mesmo sabem qual o nome da nossa capital.  Ninguém confunde São Paulo e nem o Rio de Janeiro, nem a Bahia, nem Minas Gerais, ninguém troca de lugar o Rio Grande do Sul. Mas, no nortão costuma o lado de lá a misturar tudo, até parecendo um certo desapego pelos moradores da maior Região Brasileira, quase 2/3 da nossa grandeza é Amazônia. E Rondônia está aqui.Rondônia está aqui, num ponto muito especial, de quase transição entre tudo, geografia, clima, vegetação. Tudo por aqui é transição, o nosso cerrado de Pimenta Bueno é savana, as terras de Corumbiara são fertilíssimas pelo basalto que tem, as imensas reservas florestais, os imensos rios carregados de energia, as nossas distâncias, uma fronteira desguarnecida, uma universidade pequena e carente, a falta de pesquisa cientifica e sendo, por natureza, o coração da América Latina.  Aqui está o coração da América. E este coração palpita forte, um tum tá, tum tá, tum tá para ser ouvido para ser bem melhor servido, porque riqueza a gente tem. Tem até diamante azul, tem nióbio, tungstênio, estanho, tântalo, floresta virgem, índios e quilombolas.Dilma lá e eu aqui, bem aqui para mostrar ao Brasil brasileiro que Rondônia existe. Vou fazer o meu dever de casa, a minha parte, mas, o Brasil brasileiro haverá de nos conhecer sem trocar de nome, sem inverter o nosso papel com ninguém, assim, do mesmo jeito que ninguém consegue trocar São Paulo pelo Rio e nem o Rio Grande com Campina Grande.Mas, pra que tudo isto aconteça depende só de nós. Só de nós. Só de nós.Nós cuidarmos melhor de nossa terra, de nossa gente, dar a nós um pouquinho mais de respeito, a nos amar mais, a nos valorizar mais, a fazer a imensa diferença de primeiro nos arrumar para depois sair por aí a procura de mais recursos. Porque dinheiro na mão, sem saber o que fazer dele, é verdadeiro vendaval. […]”

#2 anrafel em 06/01/2011

Não cheguei a ler os dois textos completos (estou no trabalho), mas um sujeito que cita Paulinho da Viola não pode ser de todo ruim.

#2.0 quequel em 06/01/2011

Pois é Anrafel, também fiquei bem impressionada, por isso coloquei isso aqui. Um sujeito que fala em zero por cento de desmatamento vencer as eleições em Rondônia é quase inacreditável.

Nos encontramos, ele e eu, na porta de uma prefeitura alguns meses atrás. Ele falou comigo e foi muito simpático e cordato, tem carisma, mas então não dei atenção porque políticos em época de campanha são todos iguais. Eu estava numa fase de desprezar a todos. Mas confesso que fui fisgada. Vou acompanhar com atenção o governo do cara. Gostei dele.

#3 Alba em 07/01/2011

Legal, Raquel!

E o cara promete, de alguma forma.

#3.0 quequel em 09/01/2011

Albinha, que bom vê-la aqui!! Obrigada e apareça sempre, aqui ou no blog prometido.

#4 anrafel em 24/01/2011

Quequel,

Dá para explicar pra gente esse problema na saúde em Rondônia? Pode abrir um outro post, se quiser.

#5 quequel em 25/01/2011

Anrafel, podemos comentar isso aqui mesmo.

O problema da saúde em Rondônia é causado por anos e anos de má gestão, tanto no nível estadual, como nos municipais. Os municípios, em geral, não fazem seu dever de casa corretamente, e isso se dá por razões diversas, como falta de pessoal qualificado, amadorismo, politicagens, etc. O resultado é falta de resolutividade no nível municipal. As ações básicas de prevenção de doenças, e também as de reabilitação das doenças menos graves, são falhas, e com isso uma boa parte da população vai ser atendida nos hospitais da capital, onde (teoricamente) há maior resolutividade, por haver mais leitos hospitaleres e mais médicos especialistas.

Vou dar-lhes um exemplo que me afeta: a maior parte dos veículos das secretarias municipais de saúde, senão todos, foram doados pelo Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de Controle da Malária, para serem usados exclusivamente em ações de vigilância de doenças (não necessariamente malária). Diversas vezes as ações de prevenção planejadas têm que ser interrompidas para que os carros levem pacientes para fazer consultas ou exames em Porto Velho, e isso apesar das ambulâncias e micro-onibus que já levaram outros pacientes. Ou seja, prioriza-se o curativo, ao invés do preventivo, e isso é um saco sem fundo, insustentável.

A consequencia prática são hospitais lotados, com pacientes espalhados pelo chão, vivendo em condições absolutamente indignas à condição humana. O que acontece nos hospitais de Rondônia, portanto, não deve ser diferente da realidade de muitas capitais e cidades grandes por aí.

O que tem de diferente aqui, no meu ponto de vista, é a capacidade de indignar-se do novo governador. Ao decretar situação de calamidade pública, ele rebela-se contra uma situação que deveria indignar a todos, mas que já adormeceu à maioria; chama atenção para a situação antes que venham notícias como mortes de bebês em UTI neo-natal, ou mortes por infecção em clínicas de hemodiálises, ou outras tragédias iminentes que só notamos quando já não tem mais jeito; toma uma atitude pró-ativa procurando por apoio e soluções junto aos Ministérios da Saúde, do Exército e um outro que esqueci qual é; e de quebra cria condições de se livrar de entraves burocráticos como licitações, etc, que paralisam as tentativas de resolução a curto prazo, porque engessam a administração pública.

Ser médico não significa entender de saúde. Muito pelo contrário, a maior parte deles só entende de doença; ser político médico tampouco significa atenção e priorização às causas dos problemas enormes que o Setor Saúde enfrenta cotidianamente. Esse é um Setor muitas vezes marginalizado e imcompreendido. Parece-me que para o governador atual de Rondônia, que é médico, será diferente. Pelo menos, ele acredita que pode ser diferente, e tem dado demonstrações inequívocas disso. Segundo a imprensa noticia, o cenário nos corredores dos hospitais já começa a mudar. Muito ainda terá que ser feito, e por diversos atores, para que as causas dessa calamidade pública sejam revertidas, mas o pontapé inicial foi dado. Eu estou animada e espero que a capacidade de indignação do governador perdure e contamine a todos os servidores públicos sob o seu comando, e daí se irradie aos administradores municipais.

#6 anrafel em 25/01/2011

Deve haver algum dispositivo para averiguar se o município está empregado corretamente a verba que lhe foi repassada para aplicação no setor de saúde. Afinal, já foi apontado como parte da solução a municipalização de partes dos recursos destinados à área, malgrado a politica(na)lha vigente também no âmbito municipal.

Acho que o governador tem que fazer das tripas coração e se fazer ouvir em Brasília e nas redes de TV e jornais, já que o estrago em pauta é preponderantemente o do Rio de Janeiro. Até que o próximo arrebente, Deus nos livre.

#7 quequel em 27/01/2011

Eu não moro na belíssima Florianópolis, nem acordo vendo o sol nascer no mar. Sequer moro naquele meu canto tão gostoso encravado entre São Paulo e Minas… mas posso reclamar da vida? Posso não, né?

#7.0 colafina em 27/01/2011

Putzgrila!

Tive uma leve pontada de um dos sete pecados capitais. Aquele que começa com a palavra inglesa que significa “dentro”, mais um conhecido pasquim semanal de circulação nacional.

Mas no bom sentido, claro!

Tudo de bom prá você!  =D

#7.1 Pax em 28/01/2011

=)

#8 El Torero em 28/01/2011

Que bacana, quequel!

#10 anrafel em 28/01/2011

Quéisso, meu!?

#11 quequel em 28/01/2011

Vocês acreditam que terei que voltar a esse lugar? Fiz duas fotos panorâmicas de lá e elas saíram com defeito. Coisa que terei que remediar. hehe

Para ver uma das fotos panorâmicas (um tantinho assim distorcida), é só visitar O mundo em que vivo, o blog prometido. Ainda vai demorar prá eu postar coisa nova, porque antes quero passar os escritos daqui prá lá, mas enquanto isso vocês podem me dar sugestões de organização de blog, se quiserem. Estou no começo do aprendizado e faltam algumas coisas prá eu configurar.

Ademais, quem quiser banhar os olhos nas águas dessa piscina onde fui pedida em casamento, 9 anos atrás; ou nas águas escuras do rio Pacaás Novos; ou ainda nas águas barrentas do rio Mamoré, que divide o Brasil da Bolívia, por favor clique aqui.

Viver em Rondônia 2

#1 quequel em 15/10/2010

Buritis é uma cidade nova. E grande, quando comparada às demais cidades da região. É a única fora do eixo da BR-364 que tem Fórum, e isso significa alguma coisa, embora não necessariamente signifique que a Lei, ou o Estado, estejam plenamente estabelecidos por aqui. Não o estão em cidades mais antigas, porque estariam aqui, não é mesmo? Afinal, Estado e fronteira não tem uma longa história de afinidades.

Não encontrei muitos escritos sobre a história local, mas conversando aqui e ali, sem o moleskine que o Monsores me sugeriu certa vez, guardei algumas informações na memória, que tentarei repassar prá vocês. O povoamento da região começou nos anos 80, com pessoas atrás de um chão para chamar de seu vindo prá cá e ocupando terras que não eram de ninguém. Ou seriam da União? A ocupação, pelo que entendi, se deu de forma um pouco diferente dos demais municípios. As pessoas foram chegando, derrubando a floresta, abrindo estradas para o escoamento da madeira. Um dia o Incra chegou e legalizou esses terrenos. Por “um dia” entendam uns 15 anos depois das famílias já viverem aqui. Hoje ouvi dizerem: “O INCRA sempre chega com uns 12, 15 anos de atraso”. Criou Projetos de Assentamentos apenas para regularizar as terras onde já havia gente morando, gente que, muitas vezes, nem era mais quem tinha invadido originalmente. Porque os assentamentos foram posteriores á ocupação, a malha viária daqui não tem a característica de espinha de peixe que se vê nos outros municípios. Resulta disso que o município é quase todo dividido em projetos de assentamento, e no norte tem 3 zonas enormes com áreas especiais como Reserva Extrativista e Floresta Nacional. Na prática, porém, todo o território municipal é igual, um grande pasto com criação de gado.

#2 quequel em 15/10/2010

#3 quequel em 15/10/2010

O Município foi criado, finalmente, no fim de 1997, e parece que foi o que mais cresceu no país no fim da década de 90, início dos anos 2000. O quadro abaixo mostra a evolução da população residente aqui, segundo estimativas do IBGE. Vejam:

1997 – 10.357 hab.

1998 – 11.140 hab.

1999 – 12.013 hab.

2000 – 12.891 hab.

2001 – 28.132 hab.

2002 – 30.521 hab.

2003 – 32.774 hab.

2004 – 42.686 hab.

2005 – 40.120 hab.

2006 – 42.717 hab.

2007 – 33.072 hab.

2008 – 33.879 hab.

Muuuuiiiita gente atrás de madeira, de dinheiro, de prosperidade e estabilidade.

A cidade é muito movimentada. Ela cresceu rápida e desordenadamente, e por isso não tem rede de água e esgoto, calçadas, ruas asfaltadas, etc, embora isso venha mudando, aos poucos. Há 3 avenidas asfaltadas, e agora a prefeitura está asfaltando algumas ruas. Acabaram de instalar as primeiras 100 lixeiras, de 300 previstas, e o prefeito têm reclamado que o povo insiste em jogar o lixo no chão. Há um técnico da prefeitura que tem lutado para criar um Núcleo de Educação em Saúde, esperançoso de levar mais educação a esse povo.

Não tenho nenhuma foto da rua, porque nunca passo lá a pé. Tanto o hotel onde me hospedo quanto o local de trabalho são afastados do centro, mas vou fazer uma foto amanhã e posto aqui prá vocês. Prometo.

#3.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Quequel também é cultura e informação.

#4 quequel em 15/10/2010

Fiquei surpresa em ver pessoas na zona rural com telefone celular. O mínimo necessário é ter energia para carregar a bateria do telefone. Eles então compram uma antena, como essa da foto abaixo, e têm sinal de telefone. Achei o máximo, uma comodidade muito útil para eles. Para energia, alguns poucos têm gerador estacionário a diesel ou gasolina, e muitas localidades têm energia do projeto governamental Luz para Todos, que por sinal começou no governo FHC com o nome Luz no Campo. Perguntei se a vida mudou muito depois da energia, pensando numa vida melhor, claro. Ouvi como resposta que a energia, ou melhor, a televisão, alienou o povo. Os filhos não querem mais ajudar os pais na lavoura porque querem ver TV, a participação nas associações rurais diminuiu. Mais um efeito do progresso por essas bandas, mas não se pode negar a possibilidade de geladeira, ventilador, telefone, diversão e conhecimento para ninguém, némess?

#4.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

UFa! Cheguei! Estava com problemas para fazer login e já estava roendo as unhas por não poder participar!!!

É uma pena Quequel que para se ter o mínimo de conforto que a energia pode proporcionar tenha que se pagar o alto preço que o progresso cobra: A Televisão! Ái que palavrão!!!

#5 quequel em 15/10/2010

#6 quequel em 15/10/2010

A região em que fui hoje ainda não foi demarcada pelo INCRA. Desconfio que lá seja área de reserva extrativista, mas, como disse, não há mais muito recurso natural para extrativismo. Foi feito lá, pela associação de moradores locais, um projeto para criar um núcleo urbano, uma vila agrícola. Assim, 10 alqueires de terra foram divididos em datas (lotes urbanos) de 500x500m, e estão lá, para serem doados a quem quiser morar lá. O projeto já tem alguns anos e, pelo menos no princípio, não pegou. O lugar ficou “fantasma” por um tempo, e agora tem umas 4 casinhas. A foto está abaixo. Um terreno nas imediações da futura vila, bem em frente de onde eu estava quando tirei a foto, foi vendido por R$ 7.000,00. Trata-se de um terreno de 1 alqueire (110 x 220m), com casa de madeira e piso de cimento, com sala, pelo menos 01 quarto, cozinha e banheiro, jardim, várias árvores frutíferas, poço e 3.500 pés de café. Barato, né? Quem me falou esse valor foi o próprio senhor que vendeu o sítio. Hoje ele tem uma terra maior a uns 16 Km dali. Nessa região, distante de tudo, um lote rural tem 21 alqueires e o preço depende das benfeitorias que tem em cima dele, mas se for um terreno limpo (já desmatado), sem benfeitorias, ele vale uns R$ 1.000,00/alqueire, ou seja, R$ 21.000,00. Já um lote de igual tamanho (21 alqueires) todo coberto por mata foi vendido recentemente por R$ 5.000,00.

#7 quequel em 15/10/2010

Esse aí é o Projeto, a futura cidade.

#8 quequel em 16/10/2010

Ainda nessa região (mas uns 16 Km afastado da vila acima) recentemente foi construída a escola que vocês vêem abaixo. Metade com recursos do governo e dos moradores locais; a outra metade, com recursos somente dos moradores locais. Ela ainda não é uma escola autônoma, mas já tem nome e vai crescer, com certeza. Há várias salas de aula, para as diferentes faixas etárias, um gerador que fornece energia todas as manhãs, geladeira, computador, professores. E uma pequena biblioteca. Fotografei a estante, e achei muito, muito legal vê-la lá. Os títulos são poucos, muitos antiquados, claramente estão ali por doação, mas ter os livros lá me deu aquela sensação idílica de ilha de conhecimento nos confins do país. Fiquei feliz por conhecer o idealizador daquele lugar, o jovem Sr. Adão, e espero poder ajudá-los em breve.

#9 quequel em 15/10/2010

#9.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Elis já cantava: “O Brasil não conhece o Brasil, o Brasil nunca foi ao Brasil…

#10 quequel em 15/10/2010

#10.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Chega a ser ingênua essa “biblioteca”…

#11 quequel em 15/10/2010

Há uma coisa que ainda não falei, não só a respeito de Buritis, mas de Rondônia, de todos lugares por onde vou. São as pessoas. Elas são muito amigáveis, gentis, respeitosas para comigo, e tem sido muito bom conviver com elas. Sou grata a todos pela atenção que me dispensam, pela companhia que me fazem.

#12 quequel em 15/10/2010

Escolhi essa garotinha prá representar o povo daqui, porque não tenho muitas fotos de pessoas. Me envergonho de fotografá-las.

Essa garotinha, de 1 ano e meio apenas, que já pegou 3 malárias, mora a quase 100 Km de qualquer núcleo urbano, a alguns Km do vizinho mais próximo, numa casinha de madeira com piso de terra batida, que não se ve da estrada e está no meio de um quintal com várias árvores frutíferas,  oferece a mãozinha em cumprimento quando a gente chega. Uma gracinha. Essa carinha fechada da foto é porque ela teve medo da máquina fotográfica. Abriu o maior berreiro depois.

#12.0 El Torero em 16/10/2010

Que coisa mais linda! E os dedinhos, olha só o narizinho, uma boneca. E trÊs malárias hein!? E Brasilzão…

Quequel, faço minhas as palavras do Cola. Além claro do teu olhar, da sensibilidade, os teus relatos são redondinhos, amarrados, seguem uma linha clara. Algo jornalístico mesmo.

E vou te pedir pra tirar fotos das pessoas, daqui pra frente. Que são oque há de melhor em qualquer lugar.

#12.0.0 quequel em 16/10/2010

Fotografar pessoas? Eu tenho vergonha Torero, fico constrangida, não sei como fazer a abordagem. Coloca o Sebastião Salgado aí na linha prá me dar umas dicas, faizfavor. rsrs

#12.1 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Linda criança brasileira!

Quequel o negócio é o seguinte:

Você chega com esse seu sorriso especial e pergunta se pode tirar uma foto, na maioria dos casos eles vão consentir e o mais fascinante é que eles costumam encarar a câmera com uma sinceridade no olhar emocionante. Senti isso no interior de Minas e na Chapada Diamantina.

No caso da criança deixe-a ver a câmera de perto e até tocá-la, uma vez que ela mata a curiosidade, relaxa e posa.

Na maioria das vezes funciona.

#13 colafina em 15/10/2010

Quequel, o relato sobre a sua vida em Rondônia é muito bom, muito bom mesmo. A sua sensibilidade transparece nos comentários a respeito das cidades, do meio ambiente, das pessoas. E mostra um Brasil que a maioria de nós jamais vai conhecer de tão perto assim como você. Obrigado por tão grande disponibilidade e gentileza.

Muitas alegrias no seu trabalho e na sua vida.  🙂

#13.0 quequel em 16/10/2010

Ô meu querido, muito obrigada! Me comoveu, sabia? ainda mais agora, depois de passar umas 3 horas, e uns 5 kilometros na rua, prá tirar umas fotos prá vocês. hehe.

Não é só disponibilidade e gentileza. Escrever aqui também me dá muito prazer .

#13.1 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Eu disse Colafina, no primeiro Pandorama, que ela tem talento!

Quequel está nos prestando um grande serviço ao dividir sua experiência conosco.

Obrigado Quequel!

#14 quequel em 16/10/2010

Como vocês sabem, toda verdade tem vários lados, e alguns deles não são perceptíveis através da leitura de historiadores, jornalistas ou visitantes ocasionais como eu. Eu gosto de Desciclopedia prá me mostrar um outro olhar. O que achei lá sobre Buritis foi um olhar pessimista e ácido de um jovem local, mas com verdades mostradas de um jeito divertido, bem-humorado, e que eu jamais poderia mostrar. A análise dele é superficial e desprovida de sensibilidade, mas é também uma forma de ver e relatar a cidade. Há verdades e graças no relato dele que eu recomendo. Não sei se terá o mesmo efeito sobre quem nunca veio aqui, mas vocês me dizem isso. Por exemplo, quando ele fala do Supermercado Gonçalves como um ponto turístico. Eu não sabia disso, mas deve ser mesmo. O Gonçalves é um supermercado moderno de Porto Velho, com filial aqui em Buritis. Para vocês terem idéia, é como entrar num Wal-mart (mas com dimensões de supermercado). Lá dentro é claro, limpo, amplo, fresco, moderno… é prá esquecer em que cidade se está. É como ir à Gambia e se hospedar no Sheraton. Diferente de tudo que há na cidade. Deve ser a coisa mais moderna que muitos moradores da cidade já viram.

Aqui o link prá Desciclopedia: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Buritis_%28Rond%C3%B4nia%29

Abaixo, foto do Gonçalves.

#15 quequel em 16/10/2010

Agora, uma sequencia de fotos do núcleo urbano, que prometi ontem.

#16 quequel em 16/10/2010

#17 quequel em 16/10/2010

Essa é a segunda avenida principal da cidade. Eu estava bem no cruzamento das duas. Lá em cuima, mais perto daquela torre, ficam a praça cetnral, a igreja, a camara legislativa. A prefeitura é um prédio novo, num setor distante do centro.

#18 quequel em 16/10/2010

Aqui, os estabelecimentos noturnos onde os homens se divertem e as mulheres, conhecidas como “de vida fácil”, levam sua difícil vida profissional.

#19 quequel em 16/10/2010

#20 quequel em 16/10/2010

Aqui tem também posto telefonico, com 3 cabines. Há tanto tempo eu não via isso.

#21 quequel em 16/10/2010

A cidade é lotada desses caminhões de tora.

#22 quequel em 16/10/2010

Esse parece que está na zona rural, mas não. Essa é a continuaçãoda rua principal, 1 ou 2 Km daquele cruzamento principal.

#23 quequel em 16/10/2010

Essa foto não ficou boa, mas há muito eu quero mostrar prá vocês uma carreta com sua julieta, que é essa segunda parte, que vai em cima da primeira, quando descarregada. Tem aos montes por aí, mas eu nunca estou com a camera na mão quando elas passam, ou, quando estou, tem um monte de gente em volta do veículo, aí eu nao consigo me encher de razão e ir lá tirar a foto que eu quero. Nessa hora aí, prá piorar a situação, passou um carro de som fazendo propaganda política e falando  da senhora que estava fotogranfando a cidade, que era bem euzinha.

Algumas fotos acima, num posto de gasolina, aparece um outro caminhão com sua julieta.

#24 quequel em 16/10/2010

Prá quem leu a desciclopedia, uma mostra de que estamos na estação da poeira.

#25 quequel em 16/10/2010

Se tem uma coisa aqui que me irrita, são as figueiras, espalhadas por todas as cidades. Acho lindas aquelas figueiras enormes e centenárias, como a do restaurante Figueira Rubayat, em São Paulo, mas alguém, uns 30 anos atrás, trouxe uma outra espécie de figueira pro Brasil, e contou a lorota de que elas são boas prás calçadas. Elas podem ser boas para podas, crescer rápido e trazer alguma sombra, mas suas raízes são enormes, danificando calçadas e tubulações. Buritis tem muitas dessas árvores, algumas já bem antigas. O prefeito atual retirou várias delas da avenida principal e plantou outras, de outra espécie, mais adequada, segundo afirmam. O que me irrita é a retirada de árvores nativas prá plantar outras, exóticas, no lugar.

Tá aí a figueira:

#26 quequel em 16/10/2010

Havia na cidade, até uns 2 anos atrás, mais de 100 madeireiras. Hoje a maioria fechou por força de fiscalização do IBAMA. No começo, muita madeira foi desperdiçada, pois a fartura era muita, e o mercado só aceitava toras bem redondinhas de madeira nobre. O resto? O resto era queimado. Hoje não tem mais tora redondinha, muito menos madeira nobre, e o mercado aceita de tudo. Tudo que aparece. E elas aparecem cada vez mais longe. Se eu não visse os caminhões passando, sempre lotados com troncos enormes, eu não acreditaria, pois nunca vejo a floresta. Vou longe, ando mais de 100 Km prá lá e prá cá por essas estradas de terra, e não a vejo. Hoje de manhã, numa localidade na divisa de Buritis com Porto Velho, já em território porto-velhense, numa área de Reserva Extrativista uns 80 Km ao norte da sede de Buritis, o dono de uma mercearia falou que tem passado por lá, em média, 15 caminhões bi-trem lotados com madeira, por dia. Vários deles passaram vazios por nós, na direção de onde a floresta está. Embora já se fale em manejo florestal (a modalidade de derrubada permitida pela legislação) aqui em Rondônia, a maioria da atividade ainda é ilegal. Se os toreiros vêem um carro como o nosso, uma caminhonete branca, eles têm medo que seja a fiscalização e costumam ou abandonar o caminhão na beira da estrada ou, se houver tempo, soltar os cabos de aço que prendem as toras, dar uma sacudida no caminhão para que as toras caiam na estrada, e fogem com o carro vazio, mais rápido. Pernas, prá que te quero?? Mas imagino que isso aconteça pouco. Normalmente eles sabem quando a fiscalização está na área e maneram na atividade. Deve ser um trabalho árduo o da fiscalização.

#27 quequel em 16/10/2010

Duas das madeireiras ainda em atividade nas imediações da cidade.

#28 quequel em 16/10/2010

Mas afinal, que altura tinha a floresta?

#29 quequel em 16/10/2010

#30 quequel em 16/10/2010

#31 quequel em 16/10/2010

Tinha a altura do tronco dessa castanheira, mamãe das Brazil Nuts que a Gwyn compra lá na Inglaterra. A castanheira é a maior árvore da floresta, digo, a mais alta. A copa dela sempre se sobressai lá no alto. é linda ou não?

#31.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Não dá pra imaginar que você ainda não tenha visto a floresta!

E quanto à castanheira, é maravilhosa!

Ái que vontade de ver isso de perto…

Você está vivendo uma experiência única e invejável!

#32 El Torero em 16/10/2010

Tô quinem o Caetano já, É tudo lindo!

E quanto a fiscalização, além de dificil deve ser perigoso.

E mais, hoje um senhor me contou uma história, das muitas que ouço todo dia, puis não é que o homem teve três malárias? Paranaense que é, foi pra Mato Grosso em ’82 trabalhar na construção civil como carpinteiro a cata de dinheiro. ‘Só oque me rendeu a aventura foi as três malárias’-diz ele-‘por sorte não peguei a ‘risadinha’, todas da ‘viva’.’

A ‘viva’ é a causada pelo P. vivax, com certeza. A ‘risadinha’ seria a ‘maligna’? Que por conta dos tremores febris chacoalham os dentes?

#32.0 quequel em 16/10/2010

Curioso Biskuíra. A “viva” com certeza é a vivax. Quanto à “risadinha”, não faço idéia do que seja. Não consigo imaginar, por mais que me esforce, a relação entre uma doença grave e uma risadinha. Contudo, todavia, entretanto, é obóvio que vou investigar. hehehe.

Para os que não são da área, existem aqui no Brasil 2 tipos principais de maleita: a vivax, mais mansinha, e a falciparum, que é mais grave, mata se não cuidada e, felizmente, é menos comum que a outra.

#32.1 quequel em 16/10/2010

Ó Biskuíra, em atenção ao seu pedido, já tomei coragem e fotografei uma pessoa hoje. Como presente prá você, pro Cola e pro Pax. Mostro tomorrow, porque há que se ter energia e paciência pros ápiloldi aqui.

#32.1.0 Pax em 18/10/2010

Boa, quequel. Vai tirando logo esse impedimento bobo da frente.

Que mal há de perguntar pras pessoas: “Posso tirar uma foto sua?”

O não é sempre garantido e, mais que isso, o sujeito ainda ficará agradecido se disser não e você respeitar.

Mande bala. Quer dizer, clique.

#33 robertão em 18/10/2010

quequel, será que só esses três são seus fãs? ingrata!

#34 robertão em 18/10/2010

nem liga pros invisiveis!

#34.0 quequel em 19/10/2010

Não é nada disso, Roberto. Eu ligo prá você e pros outros sim, e muito. Inclusive tenho amigos pessoais entre os invisíveis, que muito prezo. A homenagem só pros 3 tem uma explicação, que só será revelada na foto. O causo é que aqui onde estou essa semana não tem internet no hotel, e a conexão da lan house é fraquinha. : (

#35 roberto em 20/10/2010

caiu na pilha! hehehehe!

#35.0 quequel em 21/10/2010

hihihi.

#36 quequel em 21/10/2010

Torero, Cola, Pax, demais visíveis e invisíveis, abaixo a foto que tirei sábado passado, lá em Buritis, tentando atender ao pedido do Torero. Fui atrás do cara e pedi prá fazer a foto. Cortei os pés do cavalo, o que estragou a foto, na minha opinião, mas tenho que colocá-la aqui.

O nome da foto é: “O gaúcho sai do Rio Grande mas o Rio Grande não sai do gaúcho, tchê.”

 

#36.0 Pax em 21/10/2010

Muito bem, quequel!

Pronto, perdeu o medo de fotografar gente. Agora manda click.

A foto ficou ótima.

#36.1 colafina em 21/10/2010

Mas báh! Gaúcho é mesmo que nem capim, tem em tudo que é lugar, tchê!

A foto ficou muito boa, Quequel, e como diz o Pax, manda ver!

#36.2 roberto em 23/10/2010

tem certeza que não é o proftel disfarçado?

#37 quequel em 21/10/2010

Foi um rodeio de crioulos, que contou com provas de laço, baile gaúcho, prendas caracterizadas, chula, e tudo que o gaúcho tem direito. Foi bom, muito bom!

#37.0 colafina em 21/10/2010

Quequel, duas coisas chamaram minha atenção nesta tua foto, que é muito interessante e bem representativa.

A primeira é a armação para a carne, confesso que não conhecia. A costela assada em fogo de chão, em espetos dos mais diversos tamanhos, é comum por aqui. Mas essa estrutura metálica, que mais parece artefato de tortura medieval, com meio boi espetado, nunca havia visto.

A segunda, é a madeira de lei usada para o fogo. Ah! Lembrei, é porque tem de sobra por aí, né mesmo? Putz, dá até um desânimo…

#37.0.0 quequel em 22/10/2010

Gostei muito do seu comentário, Cola. Para mim, que não sou do Sul e nem de Rondônia, é difícil perceber sutilezas como as que você percebeu. Boa essa troca.

#37.0.1 Pax em 22/10/2010

“Arrepara” também que o espeto do fundo é diferente, parece de madeira. Mas também diferente do que conheço do meu canto no RS (pampa, região oeste).

Lá a gurizada pega uma forquilha bem grande, quase 2 metros e enfia as duas pontas na costela e estas duas pontas vão ser enterradas.

E não faz fogo assim, mas cava uma vala de um lado e de outro. Este fogo é no nível do chão.

Independente disto tudo, estas fotos mostram que a carne parece que tá quase pronta pro lonqueio.

#37.0.1.0 colafina em 22/10/2010

Pax, se fosse de madeira não suportaria o peso daquela carcaça imensa. E “arrepare” que o espeto está soldado num aro de roda de caminhão, que serve de suporte móvel. Espertos, os caras…

E pelo arranjo carne X fogo, é churrasco de assado lento como toda boa costela em fogo de chão deve ser, e o fogo com certeza foi aceso de manhã bem cedo.

#37.1 colafina em 22/10/2010

Era uma vez…

… o zeloso pai de uma pura mocinha, que ardilosamente captura o audaz mocinho que perigosamente escalava a inespugnável torre do imponente castelo daquela escarpada montanha para uma inesquecível noite de tórrido romance com a quase virginal donzela.

O incauto amante foi impiedosamente jogado numa fétida masmorra e covardemente pendurado por pesadas correntes na úmida parede de sombrias pedras, onde dolorosamente passou o brevíssimo resto da sua brevíssima vida de desafortunado ex-quase-genro.

Exageradamente magro e ainda nem bem morto, em festiva comemoração à intocada honra da empoeirada princesa, teve suas mirradas costelas cuidadosamente espetadas numa metálica estrovenga e vagarosamente assadas no apinhado pátio do real castelo e sofregamente devoradas pelos esfomeados súditos!

Fim.

#37.1.0 quequel em 22/10/2010

kkkkkk. Coitado do mocinho. E Coitada da mocinha também, né? Havemos sempre de nos lembrar que as moças de família vão para o céu. As outras, vão a todos os lugares.

#37.1.1 colafina em 29/10/2010

inexpugnável…

#38 quequel em 22/10/2010

Roberto, essa é prá você.

Aqui perto de Campo Novo, onde estou hoje, tem uma vila chamada Vila União. Fica a meio caminho entre Campo Novo e Buritis. Esse lugar é mais conhecido como Cabajá, ou União do Cabajá. Então eu quis saber: Cabajá é nome de que? bicho? fruta? rio? peixe?

Adivinha???

Antigamente esse povoado ficava no fim de uma linha, uma estrada, e as pessoas diziam a respeito dessa estrada: acaba já ali. Pronto, tem nome o povoado. Fácil, né?

#38.0 Fatima Ribeiro em 02/11/2010

Que barato! Parece coisa daquele livro A Casa da Mãe Joana. Adoro a história das palavras.

Me lembrei da história da origem da palavra Forró.

#39 roberto em 23/10/2010

Eita! essa merece entrar com destaque na minha coleção de curiosidades!! manda mais, amiga!

#40 quequel em 24/10/2010

O assunto hoje pode ser meio indigesto para alguns corações mais sensíveis, mas peço-lhes licença para falar sobre a morte.

Estou morando em Alto Paraíso há 5 meses. Nesse tempo, já fui a dois enterros aqui, os dois de morte morrida. É que aqui tem muita morte matada, mas felizmente ninguém das minhas relações morreu de morte matada nesse período.

O que me chamou atenção nos 2 enterros que participei foi a sequencia de montinhos de terra, um ao lado do outro, no fundo do único cemitério da cidade, indicando a quantidade de mortes. Báhh, é muito!

Em 15 de junho deu-se minha primeira experiência. Acompanhando enterro da D. Maria, senhora que não conheci, mas mãe de um colega de trabalho, notei que havia 8 montinhos ao lado do dela. Achei muito. Oito mortes de janeiro a junho? Não! de março a junho, segundo denunciava a plaquinha do primeiro montinho.

Ontem fui ao outro, da Eduarda, filhinha recém-nascida (3 dias) de outro colega de trabalho. Como pode ocorrer, ela foi enterrrada em outro lugar do cemitério, entre sepulturas mais antigas, mas não resisti e fui lá no fundo contar os montinhos que se formaram desde o sepultamento da D. Maria, 4 meses atrás. Vinte e sete na mesma linha, e outros cinco numa nova linha, já iniciada mais ao fundo. Mais 3 covas já abertas, esperando os próximos moradores. Que lhes parece?

De março a outubro trancorreram 7 meses. Foram pelo menos 43 enterros ali, seis por mês, mais de 1 por semana. Isso num município de 18.000 habitantes.

Se eu fosse jornalista, eu iria consultar o coeficiente de mortalidade daqui, compará-lo ao de Rondônia e ao do país, e fazer uma análise mais aprofundada do caso, mas estou com preguiça. Talvez eu faça isso no futuro, mas por hora não. Perdoem-me. Quero apenas dividir com vocês essa minha impressão e assombro.

A propósito, o velório da Eduarda foi triste, mas sem o desespero que eu esperava encontrar. A mãezinha meio em choque, a avó já resignada. Não sei se por serem pobres ou evangélicos, mas desconfio que por serem pobres na Amazônia, já acostumados com os altos índices de mortalidade infantil que foram realidade por aqui por tantas décadas.

A presença de muitas crianças no local indicava também que ali era velório de gente humilde, pobre, onde não existem babás ou empregada prá tomar conta das crianças, e muito menos psicólogos para aconselharem o contato cauteloso da criança com a morte. Quanto menos recurso financeiro/educacional, mais cedo as crianças são expostas às agruras da vida.

À família de Eduarda, ficam minhas orações para que sejam confortados e possam, um dia, comprender os desígnios de Deus.

A ausência de fotos é auto-explicatica, e toma aqui a proporção do 1 minuto de silêncio.

#41 quequel em 11/12/2010

Meu hotel em Buritis fica na entrada da cidade, entre dois postos de gasolina. Saí há pouco para jantar e me surpreendi que, numa noite de sexta-feira, num município de cerca de 35.000 habitantes, que não é acesso para nenhuma outra cidade, que fica distante 130 Km da rodovia federal que liga a região ao centro-sul do país, haja tantos caminhões. Contei mais de 30, estacionados nos dois postos. A maioria, bi-trens. Já vi isso em postos de gasolina às margens das estradas federais, mas aqui?

Cidade vazia, sentei-me num restaurante prá jantar. Prato comercial, arroz que não se acaba, pouquíssimo feijão escondido por baixo do arroz, macarrão, abobrinha, tomate, pepino (arghhh), repolho (como gostam de repolho por aqui! Tem até no hamburguer), bisteca fritinha na hora. Tudo isso por R$ 7,00. Tudo isso a despeito de ser quase onze da noite (para o caso do meu marido ou da minha mãe lerem isso, preciso contar que não comi tudo). Como clientes, apenas eu e quatro policiais da PM Ambiental, que aparentemente tinham acabado de chegar de uma missão no interior. A conversa, entre outras coisas, passou por perguntas sobre um tal que mataram hoje. O PM perguntava, a dona do restaurante não sabia de nada, e o PM dizia: “não sei de nada, não vi nada!”, desconfiando que a mulher estava era sendo sabida o suficiente prá ficar calada. O que terá acontecido? Depois pareceu-me que falaram de um suicida apaixonado. Eu hein!! Seja lá o que for, amanhã ficarei sabendo. No taxi.

Antes de sair, fugindo do tédio e da programação televisiva, resolvi ler esse tal de “Viver em Rondônia 2”. Eu sumi, né? Bem no dia seguinte ao meu último post eu recebi uma notícia que me deixou meio deprê. Já passou, mas mexeu na energia, alterou a sensibilidade, a inspiração. Fiquei sem vontade, sem saco de prestar atenção nas coisas, de fotografar – nem carrego mais a câmera.

Tenho aqui poucos leitores entusiasmados, mas suas participações são tão gentis e estimulantes que me fizeram querer acordar. Obrigada a vocês! Amanhã cedo pego estrada de novo. Volto prá “casa”. Segunda-feira, estrada mais uma vez. Passarei a semana em Campo Novo e prometo estorinhas e fotinhas de lá. Vocês vão adorar conhecer a Arara. Ela é linda!

#41.0 El Torero em 11/12/2010

Eu quero conhecer esta tal Arara…estou no aguardo.

Beijão quequel!

#41.1 Pax em 11/12/2010

Tomara que a noticia que te abalou passe da melhor maneira. E que você continue com as histórias e as fotos. Também quero conhecer a Arara.

Viver em Rondônia 1 – EEMM

#55 quequel em 10/09/2010

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

#56 quequel em 10/09/2010

Imagino que a maior parte de vocês já ouviu falar na Ferrovia Madeira-Mamoré, a ferrovia do diabo, entretanto, peço licença para um breve resumo, para aqueles que não conhecem a história.

A foto abaixo é na zona portuária de Porto Velho, bem pertinho da antiga estação ferroviária.

#57 quequel em 09/09/2010

Com o advento da Revolução Industrial no final do Séc. XIX, a borracha natural da Amazônia passou a ser muito valorizada, e iniciou-se o que se chama “Primeiro Ciclo da Borracha”, que teve seu apogeu entre os anos 1879 e 1912, e trouxe muita riqueza para algumas cidades amazônicas. Paralelamente, os países de colonização hispânica tornavam-se independentes e redefiniam suas fronteiras. Nesse movimento, a Bolívia perdeu sua saída para o mar. Como escoar a produção boliviana para os ávidos compradores europeus e norte-americanos, senão pela via fluvial amazônica? Mas… tinha uma cachoeira no caminho. No caminho tinha uma cachoeira… Na verdade, cerca de 20 cachoeiras num trecho de 300 Km dos rios Madeira e Mamoré, entre a atual cidade de Guajará-Mirim e Porto Velho. Surgiu então, na metade do Século XIX, a idéia de construir uma ferrovia ao longo do trecho encachoeirado dos rios. A partir de Porto Velho, a borracha e as demais mercadorias seguiriam de navios para Belém, primeiro pelo rio Madeira, e depois pelo Amazonas.

#58 quequel em 09/09/2010

#58.0 Fatima Ribeiro em 03/10/2010

Linda a foto! Quequel, você está se revelando um misto de jornalista com professora de História!

#58.0.0 quequel em 04/10/2010

Hummm, belo elogio vindo de uma jornalista fotógrafa. Obrigada lindinha.

#59 quequel em 10/09/2010

Pois bem, a primeira concessão do governo brasileiro para a construção da estrada de ferro data de 1870, quando várias empresas estrangeiras tentaram, sem sucesso, iniciar a obra. Somente a partir de 1907 um megaempresário americano, após criar nos EUA a Madeira-Mamoré Railway Company e conseguir um contrato de uso da ferrovia por 60 anos, obteve sucesso na construção da estrada, entregando seus 366 km no ano de 1912, quarenta e dois anos após a concessão de construção, e 5 anos após retomadas as obras. Grandes empresas faliram e milhares de trabalhadores morreram nesses 42 anos. E faleceram à custa de uma estrada cuja razão de existir morria com o seu nascimento. Observem que 1912 é o ano de inauguração da ferrovia, e também o ano do fim do apogeu da borracha Amazônica. Sim, amazônica, porque a borracha em si é muito utilizada até os dias atuais.  Falta de visão de futuro, ganância, gestão insustentável, falta de fiscalização, e outros comportamentos tão conhecidos da elite política e empresarial brasileira, permitiram que mudas da seringueira fossem contrabandeadas para a Malásia (biopirataria praticada pelos ingleses), que através de técnicas modernas de plantio e monocultura, invadiram o mercado mundial com preços muito baixos, inviabilizando a produção brasileira e boliviana. A estrada funcionou de 1912 a 1931, sempre dando prejuízos, e depois funcionou por mais alguns anos, até ser completamente substituída pelas rodovias que ligam Guajará Mirim a Porto Velho, na década de 70. Foi abandonada, e a floresta, implacável como sempre foi, tomou conta de quase toda a sua extensão. Alguns trechos foram recuperados para fins turísticos, e depois novamente abandonados. Ainda existem os funcionários da ferrovia, e os amigos da mesma, que lutam por sua recuperação. Até na Inglaterra ela tem amigos: a Madeira-Mamoré Railway Society.

#60 quequel em 09/09/2010

Ponte sobre a estrada de ferro, na altura de Santo Antônio, Porto Velho.

#61 quequel em 09/09/2010

Hoje, 98 anos após a inauguração da estrada, a cachoeira de Santo Antônio, distante apenas 7 Km de Porto Velho, ganha fama nacional, e passa a habitar apenas a memória daqueles que a conheceram. Para uns, ela morre pelo nobre motivo de contribuir com o desenvolvimento do Brasil, fornecendo energia para o Sudeste industrializado, e trazendo emprego e desenvolvimento para Rondônia; para outros, ela morre pela visão gananciosa e equivocada de gestores públicos, agarrados a um modelo desenvolvimentista ultrapassado. Para muitos porto-velhenses, a cachoeira de Santo Antônio será só saudade.

Abaixo, fotos da construção da Hidrelétrica de Santo Antônio, exatamente no local onde era a cachoeira. Pela velocidade da obra, é útil dizer que essas fotos são de 04/09/2010.

 

#62 quequel em 09/09/2010

#63 quequel em 09/09/2010

#64 quequel em 09/09/2010

#65 quequel em 09/09/2010

Essa placa dizia: ATENÇÃO! Devia seu um alerta sobre o risco das explosões próximas.

#66 quequel em 09/09/2010

Neste mesmo local está a Igreja de Santo Antônio, e há algumas grutinhas como esta entre a igrejinha e o rio.

#67 quequel em 09/09/2010

#68 quequel em 09/09/2010

#69 quequel em 10/09/2010

O meu tom acima foi nostálgico porque eu faço parte da turma dos conservacionistas, mas é preciso admitir que também coisas boas acontecem.

As usinas de Santo Antonio e Jirau – que também está sendo construída em Porto Velho – estão mudando a cara da cidade. A população tem crescido vertiginosamente, e com isso os preços das coisas aumentou, o trânsito ficou mais difícil, as opções de voos prá cá cresceram, a rede hoteleira vive lotada… enfim, a cidade é outra, dizem os que moram aqui. E vai mudar ainda mais. Os planos de minimização do impacto da implantação das usinas prevêem contratos com o governo local, com injeção de dinheiro para melhorias diversas. Melhorias urbanas, por exemplo, como colocação de semáforos nos cruzamentos (a zona central de Porto Velho tem 1 cruzamento a cada 100 m, e a maioria não tem semáforo), identificação de ruas com plaquinhas nas esquinas, e outras muitas melhorias. Não estou acompanhando, mas imagino que haja investimentos nas áreas de educação, saúde, segurança pública, cultura e lazer. Já ouvi dizer que a prefeitura anda se aproveitando prá culpar a usina por todos os males da cidade, e responsabilizá-la prá que ela faça tudo que os governos nunca fizeram antes. Nos planos cultural e urbanístico, já percebe-se alterações significativas, com a revitalização do patrimônio da Ferrovia Madeira-Mamoré, cujas fotos estão abaixo. Quando ficar pronto, Porto Velho terá um espaço público bonito e útil para o seu povo e os turistas passearem.

#70 colafina em 09/09/2010

História interessante, Quequel. Obrigado pela dica!

Para quem se interessar, aqui está o link da Associação dos Amigos da Madeira-Mamoré, ou Madeira-Mamoré Railway Society. Vale a pena navegar nas fotos.

#70.0 quequel em 09/09/2010

Colafina, um beijo!

#70.0.0 colafina em 09/09/2010

Outro procê!

:-))

#71 quequel em 09/09/2010

#72 quequel em 09/09/2010

#73 quequel em 09/09/2010

#74 quequel em 09/09/2010

Um barco encalhado que continuará fazendo parte do local, que ainda está em obras.

#75 quequel em 09/09/2010

#76 quequel em 10/09/2010

O rio Madeira, na altura da estação e o barco que faz passeio turístico pelo rio, temporariamente parado devido às obras no seu porto de atracamento. Na curva do rio, lá no fundo, quase no centro da foto, a futura hidrelétrica de Santo Antônio.

#77 quequel em 09/09/2010

Nessa foto, tirada num entardecer de maio, quase do mesmo lugar, dá prá ver melhor onde são as obras.

#78 quequel em 09/09/2010

Prá despedir, nada melhor que uma estrada bonita, e um convite. Naquele morro, ao fundo, está o Café Madeira, barzinho com uma bonita vista do rio (de lá que eu tirei a foto acima), cerveja geladinha e música gostosa, selecionadíssima. Quem vem?

#78.0 El Torero em 10/09/2010

Opa, estamos aí! hehe!

#78.1 Luiz em 10/09/2010 – 13:25 (+0)

Cervejinha gelada nessa região é artigo de primeira necessidade…

#78.2 Pax em 10/09/2010 – 18:19 (+0)

Não convide duas vezes que acabo acreditando.

Estes relatos com fotos e com a história estão à além de muito bons.

#79 roberto em 10/09/2010

tudo muito bonito! por que esse post não está no alto?

#79.0 quequel em 10/09/2010

Roberto,

eu sempre entro através de Comunidade. Aí os primeiros são os posts mais recentes, e os que ainda não li vem marcadinhos em amarelo. Mas, prá quem entra com o Internet Explorer, ou só olha o cardápio de links à esquerda, deve ficar mais difícil mesmo de achar.

Obrigada pelo comentário.

#80 Maria das Graças em 10/09/2010

Olá Pax, Roberto e Fátima Ribeiro, Obrigada pelo carinho. Não só eu, mas toda a família, nos orgulhamos muito de nossa Quequel. Aprovo tudo  de positivo que dizem dela. Concordo em gênero, número e grau. Um abraço a todos vocês.

#80.0 Pax em 10/09/2010

Prezada Maria das Graças,

Sua presença só aumenta o tamanho da filha. Seja muito bem-vinda.

Se quiser se cadastrar ajuda a não ter os comentários esperando minha moderação e fica bem mais fácil. Se precisar de ajuda me avise.

Abraços

#81 Maria das Graças em 10/09/2010

Oi filha,

No meu tempo o desfile de 7 de setembro tinha outro nome. Era “Parada de 7 de Setembro”, e, curioso, só agora me dou conta, que eu jamais “marchei” antes do ginasial, que por acaso começou no ano de 1964. “”Marchei” nos 4 anos do ginasial e me sentia muito orgulhosa, sempre esperando pelo final, para saborear o delicioso “pão com salame, guaraná Coroa” . Bons tempos…  Beijos.

#82 roberto em 10/09/2010

um abraço, dona das graças!

Viver em Rondônia 1 – 7 de setembro

#40 quequel em 07/09/2010

Não sei onde estive, nem o que estava fazendo, nos últimos vinte 7 de setembros. Pensei que não existissem mais os tradicionais desfiles em comemoração à data. Nas cidades de vocês eles ainda acontecem?? Aqui em Alto Paraíso sim. 

É uma quase-festa popular, e me pareceu louvável que aconteça. Tem a beleza da simplicidade, do esforço de professores, pais e … alunos (não estou certa quanto ao esforço desses últimos), do ensino de história e patriotismo, mas… SOCORRO! Alguém me salve, por favor, pois que senti falta dos tempos militares. Apesar de todo o esforço que eu imagino que tenha havido por parte dos professores e demais funcionários das escolas, faltou harmonia, organização, orgulho. Os alunos, com uma apatia no olhar e no andar agonizante; alguns meio que dançando ao som das fanfarras. Ninguém marchava, tampouco a música permitia uma marcha. Me pergunto: é necessária essa marcha, ou eu a procuro porque fui criada durante um regime militar, e portanto espero que a prática das paradas daquele tempo se perpetue?

Lembrei da “beleza tão bela” da abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, com um sincronismo impressionante feito por centenas de pessoas, e da “tristeza tão triste” de saber que aquele espetáculo só foi possível por causa da rigidez militar do treinamento. Lembrei das grandes Escolas de Samba brasileiras, que alcançam ordem e harmonia em suas apresentações sem estarem sob o jugo militar, mas sob o jugo da paixão.

Como há muito não vivemos sob governos militares, e como paixão pela pátria só toma conta de nossos corações a cada 4 futebolísticos anos, vos pergunto: será possível uma bonita e harmônica parada de 7 de setembro nos tempos atuais?

Abaixo, algumas fotos.

#41 quequel em 07/09/2010

#42 quequel em 07/09/2010

#42.0 colafina em 07/09/2010 

“Os alunos, com uma apatia no olhar e no andar agonizante.”

Descrição perfeita…

#42.1 colafina em 07/09/2010

Confesso que desde piá até o fim do 2.grau, o desfile sempre foi uma obrigação para mim, que dispensaria de bom grado se me fosse permitido. Mas pelo menos 30 dias antes, nas aulas de educação física, enquanto a banda ensaiava o ritmo e as viradas, nós ensaiávamos a marcha ordenada e cadenciada.

E no dia do desfile, uniforme lavado, passado, sapatos brilhando, cabelo penteado, muita atenção e entusiasmo pra fazer bonito na frente das autoridades. Lembranças de um passado remotíssimo…

#42.1.0 quequel em 07/09/2010 

Em Campinho, cidade de onde sou e onde desfilei todos os 7 de setembros e 12 de junhos (aniversário da cidade) da minha infância, tem uma fábrica de refrigerantes chamada “Coroa”. Ao final do desfile, os estudantes ganhavam 1 pão com salame e 1 garrafa de guaraná Coroa. Decorre disso que todos os moradores daquela pacata cidadezinha capixaba aprenderam o ritmo da marcha ao som de uma musiquinha cuja letra é, repetidamente, tal qual um mantra: “pão com salame, guaraná coroa; pão com salame, guaraná coroa; pão com salame, guaraná coroa”. Até hoje eu sei marchar. rsrsrs Mas eu, que saí de lá há mais de 20 anos, tinha me esquecido dessa música, até que, uns dois anos atrás a cidade foi homenageada no carnaval por uma escola de samba de Vitória. Lá fomos nós num ônibus da prefeitura desfilar. Na volta, adivinha o que cantávamos no ônibus?

#43 quequel em 07/09/2010

#44 quequel em 07/09/2010

População assistindo, e bruxinha que desfilou no início.

#45 quequel em 07/09/2010

Na escola que desfilou o tema “Política”, olha só quem foi lembrado:

#45.0 Pax em 07/09/2010 

Bom que esteja espalhado pelo país afora.

Belo relato fotográfico, quequel.

#46 quequel em 07/09/2010 

Vejam na foto acima que cada aluno traz uma faixa com valores positivos, ligados à ficha limpa, como Honestidade, Compromisso e Trabalho. Atrás deles vinha a corrupção, com os alunos trazendo os valores relacionados, como nepotismo, fisiologismo, etc.

#47 quequel em 07/09/2010

“Estamos de olhos bem abertos”, diziam eles. Ôh mentira!!! Quem dera nossa sociedade estivesse de olhos bem abertos. Quem dera conhecêssemos a verdadeira cidadania.

#48 quequel em 07/09/2010

Bem que eu gostei dessezolhão. Acho que vou colocá-los aqui na minha parede, prá lembrar de ser cidadã.

#49 quequel em 07/09/2010

A literatura também foi lembrada: Sítio do Picapau Amarelo, Cinderela, Chapezinho Vermelho e Branca de Neve foram representados.

#50 quequel em 07/09/2010

Tá acabando… uma das 3 fanfarras que se apresentou:

#50.0 Fatima Ribeiro em 03/10/2010 

Aqui no “Sul Maravilha” não se vê mais desfiles, salvo ainda no colégio militar. Não me lembro ter desfilado, adoraria no final comer pão com salame e tomar guaraná.

#51 quequel em 07/09/2010 

E Capoeira, que também tem por aqui.

#52 quequel em 07/09/2010

Well, acabou. Ou melhor, parei. Feliz Dia da Independência prá vocês.

#53 roberto em 08/09/2010

maneirão!

#54 El Torero em 08/09/2010

Em minha cidade, não sei a partir de que época ao certo, surgiu uma nova maneira de ‘desfilar’. No lugar da marcha ao som da única fanfarra da cidade, com os alunos separados por escola e por turma, começou a ser organizado algo mais elaborado. Exemplo: tal escola teria como tema as revoltas populares brasileiras. E lá ia a gurizada vestida de Antonios Conselheiros, Bento Gonçalves e(estes eu lembro bem) um bandode seringas-Revolta da Vacina. Nós eramos o pessoal do Contestado.

Eu curtia história, nosso pessoal muito interessado e tals…num caso assim, com professores empenhados em discutir e fazer ganchos entre acontecidos e fatores, uma Alba por assim dizer, era válido.

Resta saber oque restou do civismo, da esperança, do retumbar do tambor no peito daquele guri, daquela guria. Se a seriedade com que o menino encarnava Garibald naquele desfile, ainda existe no homem no seu dia-a-dia, personagem também da história.

#54.0 quequel em 08/09/2010

Que interessante Torero! E as questões que você levanta também o são. Deve ser uma experiência bem legal prá gurizada de lá.

Por aqui, creio que ainda demorará muitos anos até que as escolas da Região Norte tenham grupos de professores capacitados prá uma atividade como essa.

#54.0.0 Luiz em 08/09/2010

Tenho a impressão de ter ouvido algo sobre a situaçao no Acre ser um pouco diferente…

Talvez a história do estado explique…

Viver em Rondônia 1 – Bruto, Rústico e Sistemático

#33 quequel em 23/08/2010

Prá dar o tom, uma música engraçada que toca na rádio local.

Acho que a Gwyn vai se deliciar. hahaha.

#36 roberto em 23/08/2010

oi mamãe da Raquel! sua filha é a própria marechala Rondônia!

#37 quequel em 24/08/2010

Ouvi outro dia de um garimpeiro, a respeito dos meus conterrâneos: “Capixaba máááta, que só febre amarela”.

Tal frase remete a dois assuntos frequentes em Rondônia: garimpo e morte matada. Do primeiro, pretendo falar um pouco. Do segundo, acho que será mais difícil. Talvez o MB Santiago Jr e o Bitt possam me ajudar.

#38 Fatima Ribeiro em 01/09/2010

Obrigado pelas boas vindas. Oi D. Gracinha, parabéns pela filha talentosa que a sra. tem, espero conhê-la ao vivo. Bjs

#39 Fatima Ribeiro em 01/09/2010

Que música é essa Quequel? Pode mandar mais, adorei! Bjs

Viver em Rondônia 1 – transporte

#15 quequel em 15/08/2010

Onde há gente, há necessidade de locomoção, némess? Segunda-feira passada viajei de ônibus e fiquei a fim de lhes falar um pouco sobre transporte.

Por aqui há meios de transporte bem parecidos com os daí, seja o “aí” onde for.

Bicicletas são muitas, principalmente entre os mais jovens. Não pelos motivos que os europeus usam bicicletas, mas por um motivo financeiro mesmo. É o primeiro degrau das posses de veículos de transporte. Depois virão a moto, o carro, o jerico…

Abaixo, trabalhadores saindo de madeireiras na hora do almoço, em Buritis. Um deles pegou carona numa moto e a bicicleta foi nas costas mesmo.

#16 quequel em 15/08/2010

Muita gente já tem sua moto, e isso facilita muito a locomoção quando se mora na zona rural. Na foto abaixo, um posto de saúde recentemente construído no interior de Alto Paraíso. Há laboratório de malária aberto de segunda a sexta, e todas as manhãs de quarta tem médico, enfermeira e nutricionista. A foto foi trada numa dessas manhãs.

O posto fica cerca de 1 Km de um povoado, e as motos ajudam bem no acesso da população ao serviço disponibilizado pela prefeitura.

Por que o posto não fica no povoado? Porque não há ordenamento territorial no povoado, ninguém lá é dono da terra, ninguém tem documento, e um órgão público não pode construir numa terra sem documentação. A propriedade documentada mais próxima era essa, onde o posto foi contruído.

#17 quequel em 15/08/2010

Em termos de transporte coletivo, há os ônibus, claro. Eles prestam um importante serviço, transportando pessoas e suas cargas. Gente que sai dos seus sítios, faz suas compras na cidade e leva prá casa como pode.

Abaixo, rodoviária em Monte Negro, numa segunda-feira à tarde. Num plano próximo, crianças vendendo picolé.

#18 quequel em 15/08/2010

Vejam como ficou o corredor do ônibus depois que o bagageiro ficou lotado:

#19 quequel em 15/08/2010

Às vezes é só uma encomenda, cujo dono nem está no ônibus. O motorista pára no local indicado, descarrega a mercadoria e depois vem um interessado buscá-la.

#20 quequel em 15/08/2010

Outra forma extremamente comum de transporte coletivo são os taxis lotação. Eles fazem viagens intermunicipais tão logo consigam 4 passageiros prá dividir o preço da corrida. Entre Alto Paraíso e Ariquemes, por exemplo, são 60 km e cada pessoa paga R$13,00, contra R$ 7,50 do ônibus. Mais barato, mas menos frequente e com itinerário definido. Os taxis buscam e deixam o passageiro no endereço que ele quiser. Além dos passageiros, os taxistas levam também encomendas, e cobram por elas o mesmo preço de uma passageiro, mesmo que a encomenda seja um envelope que cabe no bolso.

É um serviço às vezes interessante, às vezes exasperante. Interessante porque é uma possibilidade de encontro com várias pessoas, várias histórias, e na maioria das vezes mais rápido que o ônibus. Exasperante porque às vezes não aparece o número mínimo de passageiros, e o carro não sai (a não ser que vocë pague por 2, ou 3, ou 4); ou porque está tarde, a possibilidade de retorno no mesmo dia é pequena, e o taxista não aceita ir, a menos que se pague pelo retorno dele. Ou seja, o taxista tem um negócio em que não aceita o risco de ter que dirigir 1 quilômetro sequer que nao seja pago; chato também pode ser dividir um banco traseiro de um carro pequeno com outras duas pessoas desconhecidas e que nem me contam suas histórias. hehe… só que minhas viagens são curtas, coisa de 200 Km, no máximo. Tem gente que viaja 500, 700 Km, desse jeito. Não sei se eu teria coragem.

#20.0 Fatima Ribeiro em 21/08/2010

Viajens Curtas?!

#21 quequel em 15/08/2010

Por fim, a vedete do transporte local por essas bandas: o jerico.

São veículos feitos nos quintais das casas, usando peças sucateadas de carros diversos, com motor estacionário a diesel, que funcionam a manivela. Tem um grande valor aqui, e transportam famílias, cargas, produção agrícola, tudo que for necessário. Muita gente tem o seu jerico, e dizem que não se compra um por menos de R$ 13.000,00. Li numa reportagem que recomendo, que o Colafina e o Torero conhecem esse simpático carrinho por “Jibata”.

Abaixo, algumas fotos dos jericos de Alto Paraíso.

#21.0 Fatima Ribeiro em 21/08/2010

Taí, Jerico pra mim sempre foi burro, jegue, veículo com esse nome é a primeira vez que vejo.

#22 quequel em 15/08/2010

#23 quequel em 15/08/2010

#24 quequel em 15/08/2010

#25 Pax em 15/08/2010

Adorei esses jericos! Quero um. Este teu item do forum está muito bom quequel. Altíssima qualidade.

#26 quequel em 15/08/2010

Obrigada Pax! Venha aqui em fevereiro assistir à corrida de jericos. Dizem que é uma farra.

Lembrei agora de uma moça que viajou ao meu lado outro dia num ônibus. Ela tinha no colo uma bebezinha de 30 dias. Perguntei se era a primeira viagem da criança e a mãe respondeu que sim. Que desde o nascimento até aquele dia a menina só tinha andado de moto mesmo. Moto!!! 30 dias!!! é mole? É o tal do “quem não tem cão caça com gato”.

Depois, na zona rural de Buritis, vi um pai e uma mãe com seu filho de uns 2 anos entre eles, em cima da moto. Estavam indo prá cidade levar o menino prá ser vacinado. Quando a mãe desse menino me olhou, com a cabeça dentro do capacete… meu Deus! Que olhos lindos tem a moça! Verdes, me lembraram aquela foto famosa e premiada dos anos 70, de uma mulher afegã, se não me engano. Quiz fotografá-la prá colocar aqui, mas tive vergonha de pedir. E é tão raro um rosto bonito e bem cuidado como o dela por aqui…

#27 Nhé em 16/08/2010

Não sei pq, mas eu sempre fico com um aperto no peito quando vejo fotos de troncos de madeira…. 😦

Muito bom o texto Quequel! Adorei! Extrapole mesmo!

#28 anrafel em 16/08/2010

“É o primeiro degrau das posses de veículos de transporte. Depois virão a moto, o carro, o jerico…”

Eu, cá comigo, estranhei. Jerico, na Bahia e no resto do Nordeste, é um nome carinhoso para jegue (já ouviram falar de ‘idéia de jerico’?). O bicho já foi um tremendo meio de transporte, pessoal e de carga, mas nunca o ápice dessa progressão.

Depois, a imagem esclareceu.

#29 El Torero em 16/08/2010

Muito bom mesmo Quequel…e o teu é um belo olhar para se conhecer estas paragens.

Quanto ao Jerico, existe em minha região as Tobatas mais ou menos a mesma coisa, só que menores, pilotei muito estas geringonças.

#30 El Torero em 16/08/2010

Esta foto bem que poderia ser em minha região...

#31 colafina em 17/08/2010

Boa a reportagem sugerida, Raquel. Pois olha, eu conhecia o bicho por jerico mesmo, o termo jibata nunca tinha ouvido falar. Mas deve ser o jerico feito com tratorzinho Tobata, como mostra a foto que o Torero postou. Ele é um trator multi-uso, ara, roça, planta, transporta… basta acoplar o implemento adequado. Nas plantações de arroz, por exemplo, as rodas e pneus largos são substituídos por rodas bem estreitas com apoios metálicos, para não danificar o arrozal.

E como o pessoal já disse, o forum está muito interessante, já puxei o banquinho, continue que a tua prosa tá boa…

#32 roberto em 17/08/2010

esse monstrengo, que já vi com nome de aranha, só não serve para mulher:

não dá pra dirigir de saias e não tem o espelhinho pra passar o baton!

#33 Gracinha (não verificado(a)) em 17/08/2010

Gostei muito filha. A sua sensibilidade altera a nossa percepção do que vemos nas fotos. Parabéns! Continue escrevendo.

#33.0 quequel em 23/08/2010

Gente, minha mãe!

Oi mãe, bem-vinda! quem sabe eu não estimulo em você a vontade de conhecer meu novo lugar?

#34 quequel em 23/08/2010

Eis que temos visitantes novos. Vocês me atiçaram a vaidade, e eu convidei umas pessoas prá virem aqui, compratilharem comigo do meu olhar sobre Rondônia.

Gracinha é minha mãe querida, já apresentada acima.

Fátima Ribeiro uma amiga do mundo real, que não vejo há tantos anos que tá quase se transformando em amiga virtual.

Sejam ambas bem-vindas, aqui nesse fórum sobre Rondônia, e nos demais do Pandorama. Estamos abertos a novas participações.

#34.0 Pax em 23/08/2010 – 08:42 (+0)

Que sejam muito bem-vindas, Gracinha e Fatima.

É só puxar uma cadeira …

Aliás, quequel, este item do forum é muito bom mesmo.

E fica a sugestão de você inscrever tuas fotos no concurso da Porto Seguro

http://www.atitudespositivas.com.br/fotografia2010/sobre.php?canal=2

Tem uma categoria que pode se encaixar muito bem: “Categoria Brasil

Para ensaios que enfoquem uma reflexão sobre o Brasil.

Viver em Rondônia 1 – madeira

#12 quequel em 15/08/2010

Na semana passada, após escrever prá vocès, eu saí prá fotografar as madeireiras da cidade. Colocarei abaixo algumas das fotos.

#13 quequel em 15/08/2010

No começo da exploração madeireira, só interessavam as árvores nobres, como mogno e cerejeira, e de formato bem certinho. Todas as outras árvores eram descartadas, queimadas na derrubada para transformar o terreno em pasto ou campo agriculturável. Havia um ENORME desperdício. Até que as árvores nobres acabaram e agora todas as outras são aceitas pelas madeireiras… Faveiro, roxim, garapeira… troncos tortos, com buracos no meio… traz que tem comprador.

Na foto abaixo, esse buraco mais acima está na altura da minha cabeça, 1,5 metros, mais ou menos. Às vezes as árvores são tão grandes que é preciso mais de um caminhão prá uma só árvore. Dois pedaços de tronco em cada veículo. Quando vou ao ES e vejo os caminhões transportando troncos de eucalipto prá Aracruz Celulose, eu acho estranhíssimo, de uma finura sem tamanho, que me faz chamar aquilo de palitinhos de dente.

 

#14 quequel em 15/08/2010

Para encerrar o assunto “madeireiras”, uma foto do Roxinho, que é uma madeira diferente, pela sua cor.

#14.0 Fatima Ribeiro em 21/08/2010

Não conhecia o Roxinho. É usado para que fim?

#14.0.0 colafina em 22/08/2010

Segundo São Google, da Igreja Googleana das Dúvidas Incertas, Insolúveis ou Não Sabidas, do qual sou devoto fervoroso, o Roxinho recebe também outros nomes, como Pau-roxo, Coataquiçaua, Guarabu, Pau-roxo-da-Várzea, Violeta, Amarante. É uma madeira pesada, durável, resistente ao ataque de fungos e ao contato com o solo, mas sua tratabilidade é difícil, devido à alta impermeabilidade do cerne.
É usada na construção civil pesada interna e externa, em mobiliário de alta qualidade, assoalhos domésticos, transporte, embarcações lâminas decorativas e compensados, cabos de ferramentas e utensílios, cutelaria, artigos de esporte e brinquedos, decoração .

😀

#14.0.0.0 quequel em 23/08/2010

Muito bom! Obrigada, Seu Cola!